Andrés Sanchez vai à Justiça para tentar reverter expulsão do quadro de sócios do Corinthians
A defesa de Andrés Sanchez, expulso do quadro associativo do Corinthians na segunda-feira, 25, por decisão do Conselho Deliberativo, vai à Justiça para tentar anular o processo interno do clube. O escritório de Fernando José da Costa Advogados, que defende o cartola no caso, argumenta que o “procedimento foi marcado por graves irregularidades”.
“As irregularidades foram tão evidentes que suscitaram questionamentos por conselheiros durante a própria sessão”, diz o escritório em nota oficial. “Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para o reconhecimento das nulidades do procedimento e a plena observância do devido processo legal.”
O texto questiona o fato de Leonardo Pantaleão presidir a Comissão de Ética, responsável por desenvolver o parecer que pedia a expulsão, e também conduzir a votação, na condição de presidente do Conselho. Pantaleão assumiu este segundo cargo após Romeu Tuma, então chefe do Deliberativo, se licenciar em abril, em meio a desentendimentos com o presidente do clube, Osmar Stabile.
A defesa de Andrés também diz ser irregular o modelo de votação aberta e nominal escolhido por Pantaleão para conduzir a reunião. Dos 300 conselheiros do clube, apenas 167 votaram na segunda-feira – 112 favoráveis, 49 contra e seis abstenções.
“Também é grave a realização de votação aberta e nominal, em desconformidade com o dispositivo do rito previsto no Estatuto Social do clube, indicado no edital de convocação, que prevê expressamente o escrutínio secreto”, diz o comunicado.
ENTENDA O CASO
O Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu, em reunião realizada no Parque São Jorge, na segunda-feira, 25, expulsar Andrés Sanchez do quadro associativo da agremiação. Foram 112 votos favoráveis, 49 contra e seis abstenções.
Tal decisão, recomendada pelo Comitê de Ética alvinegro, é o desfecho das investigações que apontaram que o dirigente teve gastos pessoais de R$ 480.169,60, em valores corrigidos, no cartão corporativo do clube. A reportagem tenta contato com a defesa de Andrés Sanchez. Após a votação, os advogados do antigo mandatário alvinegro não falaram com a imprensa.
O ex-presidente corintiano, que exerceu mandatos de 2007 a 2012 e 2018 a 2020, argumentou em mais de uma ocasião que confundiu o cartão corporativo com o seu pessoal para justificar parte desses gastos. Também chegou a ressarcir parte das despesas.
LEIA A NOTA DA DEFESA DE ANDRÉS SANCHEZ NA ÍNTEGRA:
O escritório Fernando José da Costa – Advogados, que representa Andrés Navarro Sánchez, manifesta absoluto inconformismo com a deliberação aprovada pelo Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista, que determinou a expulsão de seu cliente do quadro associativo do clube.
A decisão foi proferida em procedimento marcado por graves irregularidades, sendo inadmissível que o Dr. Leonardo Pantaleão tenha presidido a Comissão de Ética responsável pela elaboração do parecer de expulsão e, posteriormente, presidido a sessão do Conselho Deliberativo que submeteu esse mesmo parecer à votação.
Também é grave a realização de votação aberta e nominal, em desconformidade com o dispositivo do rito previsto no Estatuto Social do clube, indicado no edital de convocação, que prevê expressamente o escrutínio secreto.
As irregularidades foram tão evidentes que suscitaram questionamentos por conselheiros durante a própria sessão.
As violações constatadas não se limitam ao caso de Andrés Sánchez, mas representam um precedente preocupante para todos os associados, dirigentes e conselheiros do clube, ao fragilizar garantias mínimas de defesa previstas no próprio Estatuto Social.
Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para o reconhecimento das nulidades do procedimento e a plena observância do devido processo legal.
