O que explica o Brasileirão ter batido recorde de convocados à Copa que durava 52 anos
Com um total de 32 jogadores, o Brasileirão bateu recorde de convocados à Copa do Mundo que já durava 52 anos, contando os sete da seleção brasileira, uma grande quantidade de chamados às sul-americanas e até representante de europeus. Hoje, o País é analisado como um ‘mercado intermediário’, rico e sem concorrência no continente, aos moldes da Premier League na Europa, o que explica a marca histórica.
A edição que até então detinha o maior registro de atletas do campeonato nacional era 1974, com 27, seguida de 1986, com 25. Ainda, o salto em relação a 2022, em que apenas sete jogaram a maior competição do futebol, representa um crescimento de mais de 350%. E se levar em consideração como o esporte hoje é globalizado, o número impressiona mais.
Para efeito de comparação, em 1958, 1962 e 1970, anos dos primeiros títulos da Copa do Mundo, eram 22 atletas que jogavam no País, mas naquela época, não eram comum as transferências para os grandes mercados internacionais de hoje em dia. O Brasil, por si só, mantinha seus craques por várias temporadas.
Isso refletiu-se nas conquistas seguintes, em 1994, com apenas 11, e em 2002, com 15. A partir de 2006, atletas do Brasileirão praticamente sumiram das convocações, chegando a bater recorde negativo histórico em 2010, quando apenas seis foram chamados, segundo levantamento do DataFut.
A reestruturação do futebol nacional, com a estabilização das SAFs, o crescimento das receitas de televisão e o investimento das casas de apostas, que rendem, por exemplo, R$ 220 milhões anuais ao Flamengo com a Betano e mais de R$ 100 milhões ao São Paulo (Superbet), Corinthians (Esportes da Sorte) e Palmeiras (Sportingbet) – que aumentam com o cumprimento de mtas, estão entre os principais fatores para essa guinada.
“O salto acontece a partir da primeira janela de 2024?, relembra Moises Assayag, especialista em finanças no esporte nas áreas de reestruturação financeira e operacional. “O amadurecimento das SAFs e a enorme injeção de investimento das bets, que permitiu a profissionalização da gestão dos campeonatos e crescimento das receitas de TV, contribuíram para mudar o patamar de movimentação de recursos financeiros do futebol brasileiro”.
Isso colocou o Brasil na posição de “mercado intermediário”, como descreve Marcos Casseb, sócio da gestora de carreira de atletas, Roc Nation. De modo geral, sem concorrência na América do Sul e agora exercendo tanto o papel de exportador, vide transferências que ainda ocorrem na base, até de player estratégico.
“O País, proporcionalmente, não paga tão alto pelos jogadores sul-americanos como a Premier League, por exemplo, o que facilita a venda deles”, destaca o empresário. “Os grandes brasileiros não tem tantos concorrentes no continente quanto os ingleses, que competem com clubes como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique ou PSG”.
Resumidamente, o Brasileirão seria hoje no continente o que é a Premier League em relação à Europa Periférica. “Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor. Exemplo é que teve mais jogadores na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias”, pontua Casseb.
Ser atrativo para retornos no auge da carreira é outro fator que recolocou o Brasil na mira de convocações à Copa do Mundo. No começo da temporada, por exemplo, o Flamengo repatriou Lucas Paquetá, que chegou a ser especulado no Manchester City e tinha mercado na Europa, por 42 milhões de euros (cerca de R$ 246,2 milhões em conversão direta).
Um ano antes, o Palmeiras comprou Vitor Roque, com apenas 20 anos, por 25,5 milhões de euros (aproximados R$ 154 milhões à época). E não para por aí, o Cruzeiro contratou Gerson, que há pouco tempo até era titular da seleção, e o Botafogo trouxe Danilo Santos, que hoje é aclamado no time de Carlo Ancelotti.
Sem contar os estrangeiros que também desembarcaram no continente na atual década e hoje fazem parte do elenco de suas seleções para a próxima Copa do Mundo. Casos de Thiago Almada, Nicolás de la Cruz, Ramón Sosa, Gonzalo Plata, Memphis Depay, entre outros.
De acordo com Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management, especializada no gerenciamento da carreira de atletas, jogar no futebol nacional, hoje, representa estar mais próximo da seleção. “Voltou a ser uma vitrine atrativa”, explica. “Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção esportiva que não deixa de ser estratégica”.
“Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporcionar”, reforçou o empresário.
CONFIRA TODOS OS CONVOCADOS DO BRASILEIRÃO À COPA DO MUNDO DE 2026:
Flamengo (9):
Jorge Carrascal – Colômbia
Gonzalo Plata – Equador
Giorgian De Arrascaeta – Uruguai
Nico De la Cruz – Uruguai
Guillermo Varela – Uruguai
Lucas Paquetá – Brasil
Léo Pereira – Brasil
Danilo – Brasil
Alex Sandro – Brasil
Palmeiras (7):
Jhon Arias – Colômbia
Flaco López – Argentina
Joaquin Piquerez – Uruguai
Emiliano Martínez – Uruguai
Gustavo Gómez – Paraguai
Maurício – Paraguai
Ramón Sosa – Paraguai
Atlético-MG (4):
Junior Alonso – Paraguai
Alan Franco – Equador
Angelo Preciado – Equador
Alan Minda – Equador
Grêmio (2):
Fabián Balbuena – Paraguai
Weverton – Brasil
Internacional (2):
Félix Torres – Equador
Sergio Rochet – Uruguai
Athletico-PR (1):
Juan Camilo Portilla – Colômbia
Botafogo (1):
Danilo Santos – Brasil
Corinthians (1):
Memphis Depay – Holanda
Fluminense (1):
Agustín Canobbio – Uruguai
Red Bull Bragantino (1):
Isidro Pitta – Paraguai
Santos (1):
Neymar – Brasil
São Paulo (1):
Damián Bobadilla – Paraguai
Vasco (1):
Andrés Gómez – Colômbia
