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02 de fevereiro de 2026

Raphael Veiga se une a outros 17 brasileiros no futebol do México, dominado por argentinos


Por Agência Estado Publicado 02/02/2026 às 08h20
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O América do México, considerado um dos times mais ricos do país, acertou a contratação de um dos principais meias do futebol brasileiro nos últimos anos, Raphael Veiga, do Palmeiras. O clube vai desembolsar US$ 1,5 milhão (R$ 8 milhões) pelo empréstimo até o fim do ano, com opção de compra de US$ 6 milhões (R$ 32 milhões).

Ele será um dos 18 brasileiros que atuam no futebol do país. O futebol mexicano conta atualmente com um valor de mercado considerado de alto padrão, perto dos US$ 3 bilhões em valor total, de acordo com dados da última temporada divulgados pela plataforma El Míster.

Isso teve reflexo direto no poder de contratação dos times da liga, que já foi a segunda mais bem paga da América, atrás apenas do Brasil, em 2023, de acordo com a Fifa, com um salário médio anual de US$ 402.000 (R$ 2,2 milhões, na cotação atual).

O reflexo disso está na contratação de um número maior de estrangeiros na liga principal. Atualmente, são 172 jogadores de fora do país atuando por lá. No América, Veiga terá a companhia do volante Rodrigo Dourado, ex-Internacional. A frente do Brasil, o número de argentinos no futebol mexicano é dominante, com um total de 40; é seguido por colombianos, com 25, e uruguaios, com 17.

Algumas transações mais “ousadas” aconteceram nas últimas temporadas, entre elas a negociação de dois atletas da Premier League para a Liga Mexicana. Foi assim com o zagueiro Samir, revelado pelo Flamengo, deixou o Watford para atuar no Tigres, em agosto de 2022.

Já o atacante Léo Bonatini, revelado pelo Cruzeiro, também em 2022, deixou o Wolverhampton para jogar no San Luis. Na última temporada, foi a vez de dois brasileiros também migrarem para o Tigres, casos do zagueiro Joaquim, ex-Santos, e do volante Rômulo, ex-Internacional.

Todas essas transações foram agenciadas pela Roc Nation Sports, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, consideradas uma das principais em todo o mundo. A companhia de gestão e agenciamento de atletas também representa o promissor atacante Armando González, do Chivas e seleção mexicana, de apenas 22 anos.

“O futebol sempre foi o esporte mais popular no México, e a economia do país cresceu muito nas últimas décadas. Além disso, muito mexicanos enriqueceram nos Estados Unidos, gerando grande audiência por lá, sem contar que a maioria dos seus grandes clubes é parte de um conjunto de propriedades de grandes empresas, e já vem sendo administrados de forma profissional faz tempo, sendo reconhecidos mundialmente como bons pagadores, o que ajuda no conhecimento dos atletas a se mudarem para o país”, explica Renato Martinez, vice-presidente da Roc Nation Sports.

O crescimento do futebol mexicano também passa por alguns movimentos, que envolvem até mesmo pela chegada de Messi e outros craques aos Estados Unidos. Tudo porque a Leagues Cup, torneio que reúne os principais times dos dois países, proporciona embates importantes e eleva a audiência e as ativações em torno da competição.

O torneio conta com 47 times – incluindo os campeões da MLS Cup e da Liga MX. Os outros 45 times são divididos em grupos de três equipes, e brigam pelas vagas no mata-mata. Essa competição marcou a estreia de Messi em disputas “internacionais” há alguns anos.

“É um mercado robusto, organizado, além de possuir profissionais de alto nível em vários segmentos, e não apenas dentro de campo. O fato de também trabalharem com a moeda americana é um diferencial no mercado”, complementa Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.

LIGA MEXICANA PASSA POR TRANSFORMAÇÃO COM COMPRAS DE CLUBES POR EMPRESAS
A Liga Mexicana passa por uma transformação que deve modificar o modelo de estrutura entre os clubes e prepará-lo cada vez mais para a entrada de outros mercados, com regras claras de governança.

Nos últimos meses, por exemplo, o Querétaro foi vendido para um grupo de investidores liderado por Marc Spiegel, fundador e sócio-gerente da firma de investimentos Innovatio Capital. O acordo avalia o clube em mais de US$ 120 milhões (R$ 667,2 milhões), segundo informações da Forbes.

De acordo com a publicação, a principal razão para essas negociações está ligada a um investimento de grande impacto que está sendo negociado com a Liga MX pela Apollo Global Management. A empresa de private equity propôs um aporte de US$ 1,25 bilhão em troca de uma porcentagem dos lucros futuros com direitos de mídia. A adoção de uma governança corporativa mais sólida é um ponto crucial nessas negociações, impulsionando clubes como o Querétaro a anteciparem suas vendas.

Além disso, um acordo com a Apollo Global Management pode trazer vantagens a longo prazo para os investidores da Liga MX. A reestruturação dos direitos de mídia e patrocínios é um dos objetivos da Apollo, que busca centralizar esses contratos sob uma única entidade comercial. Um novo pacote de direitos de mídia poderia impulsionar significativamente as receitas e a valorização dos clubes, alinhando a Liga MX com outros grandes campeonatos esportivos ao redor do mundo.

Ou seja, as equipes mexicanas estão sendo comercializados para resolver um problema de participação cruzada dentro da Liga MX, na qual quatro grupos mantinham participações em dois times rivais simultaneamente: Grupo Caliente (dono do Querétaro e do Tijuana), Grupo Orlegi (Atlas e Santos Laguna), Grupo Pachuca (León e Pachuca) e Grupo Salinas (Mazatlán e uma parte do Puebla). Eliminar esses conflitos de interesse ajudaria a atender às regras da Fifa, que proíbe que múltiplos clubes com o mesmo proprietário participem de competições interligadas.

“Quando uma liga passa a atrair investimentos em larga escala, como ocorre hoje no México, a exigência por governança se torna inevitável. Operações estruturadas e investimento relevante só se concretizam quando há de fato uma liga no controle da maior competição nacional, pois com ela há mais transparência e segurança jurídica para investidores”, explica o advogado especializado em direito esportivo, Cristiano Caús, sócio do CCLA Advogados.

Os aportes decorrem dessa organização, avalia Talita Garcez, especialista em direito desportivo e sócia do Garcez Advogados e Associados. “A eliminação das participações cruzadas, por exemplo, atende diretamente às normas de integridade competitiva da Fifa. Quando a liga corrige esses desvios estruturais, reduz riscos jurídicos, fortalece a segurança contratual e cria bases mais sólidas para operações dessa natureza.”

MÉXICO E EUA FAZEM LOBBY POR RETORNO À LIBERTADORES
O lobby pela presença de times dos Estados Unidos e do México para que disputem a Libertadores ganhou mais força após as recentes declarações de Jorge Mas, um dos donos do Inter Miami, time do craque Messi. Nos últimos dias, ele revelou que teve uma conversa com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, sobre a possibilidade dos campeões dos Estados Unidos e do México participarem do torneio sul-americano.

Na comemoração deos 10 anos da gestão do presidente Alejandro Domínguez a frente da Conmebol, em Luque, no Paraguai, o próprio mandatário revelou que “as portas estão abertas” para os dois países, mas que a decisão precisa partir das confederações locais.

Para Joaquim Lo Prete, country manager da Absolut Sport no Brasil, agência multinacional de experiências esportivas, uma eventual presença de clubes dos Estados Unidos e do México na Libertadores representaria um salto estratégico para a competição no campo dos negócios.

“Estamos falando de acesso direto a dois mercados relevantes em termos de consumo esportivo e que contam com marcas globais e poder de investimento. A entrada de clubes desses países ampliaria a exposição internacional do torneio, atrairia patrocinadores multinacionais que hoje ainda não olham a Libertadores como prioridade e abriria novas frentes de receita em direitos comerciais, ativações, hospitalidade e turismo esportivo”, comenta.

O executivo, que trabalha diretamente com a logística dessas viagens, reconhece que essa questão da distância para os dois países é um desafio real, mas está longe de ser um impeditivo

“O futebol já opera em uma lógica global, com competições que envolvem longos deslocamentos, fusos horários e calendários complexos. Com planejamento, investimento em infraestrutura, ajustes de calendário e coordenação entre confederações e clubes, esses obstáculos podem ser administrados. Do ponto de vista operacional e comercial, os ganhos superam os desafios”, acrescenta Lo Prete.

Já Bruno Brum, CMO da Agência End to End, entende que do ponto de vista de negócios e marketing esportivo, esse fator elevaria a competição a um patamar completamente diferente.

“A entrada de clubes dos EUA e do México na Libertadores, especialmente com um ativo global como o Messi, transformaria um produto essencialmente sul-americano em uma propriedade ainda maior, com impacto direto na valorização dos direitos de transmissão, na atração de patrocinadores globais e na geração de novas receitas comerciais”, diz.

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