Caso Sevilha: em vídeo, viúva do auditor-fiscal relata como foi o último dia de vida do marido
“Pai amoroso, marido carinhoso, que era companheiro. Ele era uma pessoa fantástica”. Estas são algumas das palavras ditas por Mariângela Gasparro Sevilha, viúva do auditor-fiscal José Antônio Sevilha, morto a tiros no dia 29 de setembro de 2005, em Maringá. Para marcar os 17 anos do assassinato do marido, Mariângela gravou um depoimento emocionado ao Sindifisco Nacional. Aos 64 anos, ela relembra como era a rotina com Sevilha, um homem dedicado ao trabalho, ao estudo e à família. “Ele era muito correto, nos mínimos detalhes (…). Dizia que a maior herança que deixaria para os filhos eram os exemplos dele e o estudo. E foi o que ele deixou”, diz ela. Veja o vídeo completo no fim da matéria.
Sevilha foi assassinado com quatro tiros à queima-roupa, em uma emboscada. O motivo seria o trabalho investigativo do auditor-fiscal que gerou autuações de cerca de R$ 100 milhões à uma importadora de brinquedos.
Poucos meses após a morte de Sevilha, a Polícia Federal chegou ao nome do empresário possível mandante do crime.
Apesar do inquérito concluído, que apontou outras quatro pessoas possivelmente envolvidas no crime, a primeira data para julgamento foi marcada somente 14 anos após o homicídio.
Sevilha era chefe da seção de controle aduaneiro e havia descoberto um esquema de subfaturamento e fraude na empresa de Marcos Gottlieb, apontado pelo inquérito policial como mandante do crime.
O caso voltou a circular na mídia novamente por conta do julgamento do caso, que foi retomado nesta quarta-feira, 5, após diversos adiamentos.
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Para Mariângela, o Estado foi omisso na proteção ao Auditor-Fiscal. “Quantas mães, quantos filhos não estão aí chorando pela falta do pai? Como a Receita Federal não protegeu o meu marido? É um absurdo um crime contra um Auditor, porque ele ali não está sendo assassinado por ser um ser humano, mas por ele representar uma instituição como a Receita Federal. É um crime não só contra a família do Auditor, contra o Auditor. É um crime contra o Estado”, afirma a viúva, ressaltando que, além de ser Auditor, Sevilha era “pai, marido e filho”. “Estou há 17 anos esperando Justiça”.
O último dia de vida de Sevilha
As lembranças tristes do último dia de vida do Auditor-Fiscal também marcam o depoimento da esposa. Leia o trecho em que ela relata o último dia de vida de Sevilha.
“Nesse dia eu tinha feito uma cirurgia…eu fui para fazer uma cirurgia, o meu marido ficou ali comigo o dia inteiro. Daí na hora que eu fui para o centro cirúrgico eu abracei ele e pedi para que ele que se acontecesse alguma coisa comigo…porque em uma cirurgia anterior que eu tinha feito seis meses atrás eu tinha tido uma parada cardiorrespiratória…que ele cuidasse das minhas crianças como cuidava. Ele me abraçou, falou assim: ‘larga de ser boba, eu vou antes do que você’. Eu fui para o centro cirúrgico, quando eu sai ele estava ali fora me esperando. Deu vinte reais para as crianças, pediu para que as crianças alugassem umas fitas de DVD e comprassem uma pizza. Quando foi umas 6 e pouco eu acordei ele e falei ‘vai até tua mãe jantar, porque hoje tem pizza, você não gosta’. Eu falei, ‘mas volta logo, que entre 7/7h30 o médico vai passar para me dar alta’. Ele me deu um beijo, e a última coisa que eu lembro dele vivo é ele saindo do quarto. Quando foi 7h30 ele não tinha chegado ainda…eu comecei a ficar angustiada. Quando foi umas 8 e pouco a minha nora chegou e falou que o meu marido tinha sofrido um acidente. Na hora eu achei que ele tinha batido o carro, daí minha nora falou para mim que ele tinha levado um tiro e tinha morrido. Eu não acreditei que ele tinha morrido. Eu levantei e falei ‘se aconteceu isso mesmo com ele eu quero ir lá porque eu sei que se eu falar com ele, ele volta. Quando eu entrei eu vi meu marido deitado em um lugar…a única coisa que eu consegui enxergar foi meu marido com a boca aberta e com lágrima no rosto. Eu tive certeza ali que ele queria respirar…que ele queria respirar…que ele não estava morto. Eu não queria sair dali…eu queria ficar com ele porque eu sabia que se eu falasse bastante com ele ele ia voltar, ele não ia me deixar, ele não ia deixar minhas crianças”.
