Florada das paineiras transforma câmpus da UEM em atração turística

Todos os anos, quando o outono começa a transformar a paisagem, um corredor florido em meio às folhas secas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) encanta quem passa pelo local. As paineiras-rosa, com copas tomadas por flores exuberantes, transformam a avenida interna do câmpus em cenário para fotos, encontros e momentos de contemplação.
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É difícil atravessar a fileira de árvores sem diminuir o passo. Entre celulares erguidos e visitantes admirados, a florada se torna temporariamente um ponto turístico dentro da universidade.
A servidora pública Rosângela Martins trabalha em um bloco próximo e diz que espera ansiosamente pelo período de florescimento. “A gente fica aguardando. Quando começa a florescer, a gente já pensa em vir tirar foto, registrar o momento. É maravilhoso.”. Para ela, o encanto também está na brevidade da exibição. “Dura tão pouquinho e é encantador.”.

A paisagem inspirou até uma experiência pedagógica diferente. A turma do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE) trocou a sala de aula por um piquenique sob as árvores floridas. Fabiane Freire, uma das professoras, conta que a ideia surgiu durante a disciplina sobre as contribuições de Paulo Freire, a partir da obra À Sombra Desta Mangueira. A proposta de estudar “à sombra das paineiras” foi aceita imediatamente pelos estudantes.
“Todo mundo veio, ninguém faltou. Estamos aqui numa discussão bem agradável, com piquenique”, relata a professora. Segundo ela, a mudança de ambiente favoreceu a participação dos estudantes e deixou os debates mais espontâneos.
“Por sair da sala de aula, acaba gerando uma discussão mais acalorada. A paisagem também chama mais atenção. Podemos dizer que a aula ficou mais agradável.”

Função ambiental
O espetáculo vai muito além da beleza. A florada das paineiras também exerce uma função ecológica importante ao fornecer alimento para insetos polinizadores em uma época de escassez de recursos naturais.
A paineira-rosa, conhecida cientificamente como Ceiba speciosa, é uma espécie nativa da América do Sul. De grande porte, ela perde as folhas justamente no período de floração, deixando as flores ainda mais evidentes e facilitando a atração de polinizadores.
A botânica Karina Fidanza, professora do Departamento de Biologia e curadora do Herbário da UEM, explica que as flores grandes e vistosas funcionam como um verdadeiro convite para abelhas e outros insetos. “Quando o inseto chega na flor, ele encontra uma recompensa, que é o néctar. Nesse momento, ele se suja com o pólen e leva para outra flor, fazendo a fecundação.”.
Em períodos do ano com menos plantas floridas, as paineiras se tornam praticamente a principal fonte de alimento disponível para esses animais. “Às vezes, ela é o único recurso disponível naquele momento. O néctar oferece energia para os polinizadores e ajuda na manutenção da biodiversidade urbana”, observa Karina.
Além de alimentar os insetos, a polinização garante a reprodução da planta e a perpetuação da espécie no ambiente. Karina ressalta que conservar árvores como as paineiras em áreas urbanas é fundamental para manter o equilíbrio ecológico e oferecer suporte à fauna que vive nas cidades.

Outro detalhe são os espinhos espalhados pelo tronco e pelos galhos. Essas estruturas funcionam como proteção contra herbívoros. Já o tronco avantajado atua como uma reserva natural de água, ajudando a planta a resistir às fases mais secas.
Paina
Quando as flores caem, a árvore inicia uma nova etapa do ciclo: a formação dos frutos. Dentro deles surge a famosa paina, uma fibra branca, leve e extremamente macia.
A pesquisadora esclarece que a paina não faz parte da semente, mas se desenvolve na parede interna do fruto. Essas fibras funcionam como uma espécie de “paraquedas natural”, responsável por transportar as sementes pelo vento em um processo chamado anemocoria. “Leve e resistente, a fibra ajuda a carregar a semente para outros locais, permitindo que a planta se desenvolva em novos ambientes”, aponta Karina.
A paina já foi muito utilizada na fabricação de travesseiros, colchões, almofadas e até salva-vidas antes da popularização dos materiais sintéticos.“Ela é extremamente leve, macia, isolante térmica e não retém muita umidade”, detalha a pesquisadora.
Karina conta que o uso dela é tradicional entre populações antigas e povos originários e que, atualmente, o material volta a despertar interesse como alternativa natural e sustentável.
Além da importância ecológica, as paineiras também exercem papel relevante no paisagismo e na educação ambiental dentro do câmpus universitário. A presença das árvores aproxima a comunidade acadêmica dos ciclos da natureza, mesmo em meio ao ambiente urbano. “Quando elas florescem, funcionam quase como um calendário natural, marcando a mudança das estações. Isso nos lembra que também fazemos parte da natureza”, reflete Karina.
A pesquisadora destaca ainda que a florada tem atraído escolas, visitantes e professores para atividades ao ar livre, transformando o corredor das paineiras em um espaço de contemplação, aprendizado e conexão com a biodiversidade.
Quem deseja conferir de perto o corredor cor-de-rosa da UEM precisa se apressar. A expectativa é de que a florada permaneça exuberante por apenas mais alguns dias antes de dar lugar aos frutos e à próxima fase do ciclo natural das paineiras.
As informações são do Notícias UEM
