‘Não sabemos o que será deles’: tragédia na Venezuela mobiliza campanha de ajuda em Maringá

Os dois terremotos que atingiram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24) provocaram uma das maiores tragédias da história recente do país. Segundo o balanço mais atualizado divulgado pelo governo venezuelano nesta quinta-feira, 25, o número de mortos subiu para 188, enquanto 1.520 pessoas ficaram feridas e cerca de 200 seguem presas sob os escombros.
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Os tremores, considerados os mais fortes registrados no país em mais de um século, atingiram principalmente a região norte venezuelana, onde está localizada a capital Caracas. Além das mortes, centenas de edifícios foram destruídos ou sofreram danos estruturais graves, deixando milhares de famílias desabrigadas.
Em Maringá, a comunidade venezuelana acompanha com apreensão as notícias que chegam do país. Diante da gravidade da situação, o Instituto Sendas iniciou uma mobilização para arrecadar recursos destinados às vítimas da tragédia.
O presidente da entidade, Erick Perez, venezuelano que vive no Brasil, afirma que, embora a Venezuela esteja localizada sobre falhas geológicas e registre tremores com certa frequência, a ocorrência de dois terremotos praticamente simultâneos surpreendeu especialistas e moradores.
“A Venezuela é um país sísmico e já enfrentou diversos tremores ao longo da história. Porém, o que aconteceu ontem foi algo inesperado pela intensidade e pela magnitude. Foram dois terremotos ao mesmo tempo, um evento sem precedentes. Infelizmente, atingiu uma estrutura que já estava fragilizada”, afirmou. Segundo Perez, muitas famílias de venezuelanos que vivem em Maringá e na região estão angustiadas por não conseguirem contato com parentes e amigos que permanecem no país.
“Há muita preocupação porque ainda não se conhece a dimensão total da tragédia. Já sabemos que muitas pessoas perderam suas vidas. Prédios inteiros desabaram em áreas residenciais e isso ocorreu em um horário em que a maioria das pessoas estava em casa”, relatou.
As cidades mais afetadas, de acordo com as primeiras informações recebidas pelo Instituto Sendas, foram Caracas e La Guaira, município vizinho à capital venezuelana onde está localizado o principal aeroporto que atende a região.
Vídeos compartilhados por moradores mostram edifícios destruídos e ruas tomadas por escombros. O medo de novos tremores e réplicas levou milhares de pessoas a passarem a noite em carros ou ao ar livre.
“Pessoas que tiveram suas casas atingidas ou que moram em prédios comprometidos preferiram dormir dentro dos veículos ou nas ruas. O receio de novos desabamentos é muito grande”, explicou Erick Perez.
Além dos danos causados pelos terremotos, a tragédia agrava uma situação já delicada enfrentada pela população venezuelana. Segundo o presidente do Instituto Sendas, muitas famílias viviam em condições de vulnerabilidade social antes mesmo dos tremores.
“Já existia muita carência e sofrimento. Agora, a necessidade aumentou significativamente. Estamos falando de pessoas que precisam de ajuda humanitária urgente”, destacou.
Campanha de arrecadação em Maringá
Diante do cenário de destruição, o Instituto Sendas, em parceria com a Segunda Igreja Presbiteriana Independente de Maringá, prepara uma campanha de arrecadação para auxiliar os desabrigados e as famílias atingidas.
A entidade já planejava realizar uma ação humanitária na Venezuela durante o mês de julho, mas a tragédia reforçou a necessidade de ampliar os esforços de solidariedade.
“Nós já estávamos organizando uma viagem para realizar ações humanitárias no país. Agora, essa iniciativa ganha ainda mais importância. Convidamos empresas, instituições e toda a população a participar dessa mobilização”, disse Perez.
As informações sobre as formas de contribuição serão divulgadas nos próximos dias pelas redes sociais do Instituto Sendas e da Segunda Igreja Presbiteriana Independente de Maringá.
Mais de 24 mil desaparecidos
O presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, informou que o levantamento oficial ainda é provisório. Até o momento, foram contabilizados 250 edifícios totalmente destruídos ou com danos severos.
Enquanto equipes de resgate trabalham nas áreas afetadas, grupos organizados por moradores registram mais de 24 mil pessoas desaparecidas em diferentes regiões atingidas pelos terremotos.
Diversos países, entre eles Brasil e Estados Unidos, anunciaram o envio de equipes especializadas para auxiliar nas operações de busca e salvamento.
