R$ 240 milhões: Rede de cinemas criada em Maringá aposta em boliche e fliperama para reinventar o setor no Brasil

A retomada do setor de cinemas no Brasil ainda não atingiu os níveis registrados antes da pandemia, mas novas estratégias começam a redesenhar a experiência do público e uma rede criada em Maringá, no Paraná, está no centro dessa transformação.
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Em 2024, as salas de cinema do país receberam cerca de 125 milhões de espectadores e movimentaram R$ 2,49 bilhões, segundo dados da Ancine. Apesar da alta em relação ao ano anterior, o setor ainda opera cerca de 30% abaixo do período pré-pandemia, tanto em público quanto em faturamento real.
É nesse cenário de recuperação parcial que a Cinesystem, fundada em Maringá pelo empresário Marcos Barros, traça uma nova rota de crescimento. A rede, que hoje conta com 28 complexos multiplex, 190 salas e presença em 11 estados, projeta faturar R$ 246 milhões em 2026 — alta de 25% em relação ao último resultado, de R$ 197 milhões.
A aposta, no entanto, vai além da exibição de filmes.
Cinema deixa de ser só cinema
Para Barros, o desafio atual do setor não é apenas reconquistar o público, mas oferecer uma experiência que não pode ser reproduzida dentro de casa. Com televisores de alta qualidade, sistemas de som avançados e acesso facilitado a plataformas de streaming, o comportamento do consumidor mudou. A resposta da Cinesystem é transformar o cinema em um centro de entretenimento completo.

A principal iniciativa dessa nova fase é o “Loof”, inaugurado em Porto Alegre. O espaço integra cinema, boliche, fliperamas, restaurante, sports bar, coquetelaria e até atividades como arremesso de machado. O investimento ultrapassou R$ 15 milhões. O complexo também mantém salas de cinema tradicionais, incluindo versões VIP com poltronas reclináveis e serviço via QR Code, reforçando o modelo híbrido entre exibição e experiência.
Estratégia aposta em permanência e consumo
A lógica do projeto é simples: fazer o público permanecer mais tempo no mesmo ambiente e ampliar o consumo além do ingresso de cinema. Segundo o CEO, o filme deixa de ser o único motivo da visita e passa a ser apenas uma das atrações dentro de um passeio maior, que pode incluir alimentação, jogos e convivência social.
Pandemia e mudança estrutural no setor
O impacto da pandemia ainda é sentido na cadeia exibidora. Além do fechamento temporário das salas, houve atraso na produção de filmes e uma migração de lançamentos para o streaming, o que reduziu a oferta nas telonas no período pós-crise. Agora, o setor tenta se reinventar com novos formatos, tecnologias e modelos de experiência.
A própria Cinesystem já foi pioneira em diversas frentes no Brasil, como a digitalização total das salas, a implantação de autoatendimento e a introdução da projeção a laser em multiplex.
O futuro: cinema como hub de entretenimento
A expansão do modelo “Loof” ainda está em fase de testes. A unidade de Porto Alegre funciona como piloto, e novas operações só devem ser definidas após avaliação completa da experiência. A prioridade, segundo a empresa, é adaptar o conceito a diferentes espaços, incluindo shoppings já existentes da rede.
A estratégia reforça uma tendência global: o cinema deixa de competir apenas com outras salas e passa a disputar atenção com bares, restaurantes, videogames e o próprio sofá de casa. Para a Cinesystem, a sobrevivência e o crescimento do setor passam por uma transformação clara: o cinema precisa ser mais do que um filme, precisa ser um destino.
Com informações da Exame.
