UEM desenvolve projeto inédito no Brasil com carne de coelho que surpreende pelo sabor: ‘lembra bastante o frango’


Por Thiago Danezi
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Foto: Colaboração

Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) estão à frente de um avanço inédito no Brasil que pode mudar o cenário da cunicultura. Após mais de dois anos de estudos, a equipe desenvolveu o primeiro protocolo nacional de ordenha de coelhas e agora entra na fase final da criação de um leite artificial para alimentar láparos, medida considerada essencial para reduzir a mortalidade de filhotes.

Em entrevista ao GMC Online, o professor doutor Leandro Castilha, do Departamento de Zootecnia, detalhou os bastidores do projeto e destacou o nível de complexidade envolvido na pesquisa.

Técnica inédita no país

Um dos principais desafios foi conseguir coletar o leite das coelhas em quantidade suficiente para análise. Isso porque, diferentemente de outros animais, a liberação do leite depende de estímulos específicos, como a sucção e o contato com os filhotes. “Foram meses de tentativa e erro até chegar ao protocolo ideal”, explicou o professor.

A solução encontrada pela equipe combina indução hormonal, estímulo natural dos filhotes e o uso de equipamentos adaptados de sucção. Com isso, os pesquisadores conseguiram coletar volumes significativos de leite, permitindo análises detalhadas da composição nutricional.

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Leite artificial já tem fórmula definida

Com os dados em mãos, a equipe conseguiu avançar na formulação de um substituto lácteo. Segundo o professor, o leite de coelha tem características bastante específicas, com alto teor de gordura e baixa lactose, o que torna inviável o uso de alternativas comuns, como leite de vaca ou cabra.

“Hoje já temos a fórmula. Agora estamos na fase de produção e, depois, vamos testar a aplicação prática”, afirmou. Entre as soluções em desenvolvimento está um sistema que simula a amamentação natural, permitindo alimentar vários filhotes ao mesmo tempo — uma espécie de “ama de leite artificial”.

Produção e conhecimento

Atualmente, a UEM mantém um plantel com cerca de 600 coelhos na Fazenda Experimental de Iguatemi, em Maringá. O espaço reúne produção e pesquisa, com foco em genética, nutrição e manejo. Segundo o professor, além da estrutura, o principal diferencial está no conhecimento técnico desenvolvido ao longo dos anos. “O que mais falta na cunicultura no Brasil é informação de qualidade. A gente vê muita tentativa e erro no campo”, destacou.

Carne ganha destaque pela qualidade

Outro ponto abordado na entrevista foi o potencial da carne de coelho, ainda pouco explorada no país. De acordo com o professor, trata-se de uma proteína saudável, com baixo teor de gordura, sódio e colesterol, além de ser rica em vitamina B12 e aminoácidos essenciais.

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“O sabor lembra o frango, mas é uma carne muito versátil. Ela absorve bem os temperos e pode ser preparada de diversas formas”, explicou. A aceitação do público também tem surpreendido. Em uma degustação recente no Restaurante Universitário da UEM, dezenas de quilos de carne foram consumidos rapidamente pelos estudantes.

Impacto direto na produção

A pesquisa busca resolver um dos principais gargalos da cunicultura: a mortalidade de filhotes no período de desmame, que pode chegar a cerca de 20%.

Com o desenvolvimento do leite artificial e novas técnicas de manejo, a expectativa é aumentar a taxa de sobrevivência dos animais e impulsionar a produção no país. Além disso, o avanço reforça o protagonismo de Maringá em pesquisas na área, colocando a cidade em destaque no cenário científico da cunicultura.

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