
Um dos exemplares arbóreos mais emblemáticos de Maringá começou a ser removido na manhã deste sábado, 23. O histórico cedro localizado na Avenida São Paulo, nas proximidades da rotatória com a Avenida Senador Petrônio Portela, foi retirado pela Prefeitura de Maringá após laudos técnicos apontarem risco estrutural da árvore.
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Vídeo encaminhado ao GMC Online mostra o momento da remoção do cedro, que por mais de duas décadas chamou a atenção de motoristas e moradores por permanecer no meio do traçado da avenida, obrigando um desvio no fluxo de veículos.
A retirada encerra um capítulo importante da história ambiental e urbana da cidade. Em 2004, o cedro chegou a ser alvo de uma disputa envolvendo poder público, ambientalistas e moradores, quando a então duplicação da antiga Avenida Gurucaia — hoje Avenida São Paulo — colocou a permanência da árvore em risco. Na época, a remoção do exemplar era considerada iminente. A árvore nativa ficava exatamente na área prevista para ampliação da via, o que gerou mobilização da sociedade civil para impedir o corte.
A ONG Funverde, liderada por Ana Domingues, acionou o promotor do Meio Ambiente, Manoel Ilecir Heckert, pedindo a preservação do cedro. O caso ganhou repercussão e, em fevereiro de 2004, o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) declarou o exemplar como patrimônio público e imune ao corte, com base na legislação ambiental vigente.
A decisão obrigou a Prefeitura de Maringá a reformular o projeto viário. À época, chegou-se a cogitar até mesmo a construção de uma rotatória ao redor da árvore, proposta criticada por integrantes da administração municipal devido ao custo e à necessidade de desapropriações.
Com a repercussão e pressão popular — que incluía manifestações planejadas por organizações ambientais e até um “abraço simbólico” ao cedro — o município acabou optando por desviar a avenida, preservando a árvore. Desde então, o exemplar se tornou um símbolo da relação entre crescimento urbano e preservação ambiental em Maringá.
Laudos apontaram risco de queda
Segundo a Prefeitura de Maringá, avaliações recentes conduzidas por engenheiros florestais constataram que o cedro chegou ao fim do seu ciclo biológico. Os pareceres técnicos apontaram perda total de vitalidade, além de risco de desprendimento de galhos e eventual colapso estrutural. Ainda conforme o município, o laudo descartou sinais de envenenamento ou qualquer outro tipo de dano provocado externamente.
O diretor-presidente do Instituto Ambiental de Maringá (IAM), José Roberto Behrend, afirmou que a decisão busca conciliar a preservação da memória ambiental da cidade com a segurança da população.
“A história deste cedro merece ser respeitada. Por isso, além da avaliação técnica criteriosa que demonstrou a impossibilidade de sua permanência, construímos uma solução que permite preservar sua memória para as futuras gerações. O ciclo deste exemplar se encerra, mas sua história continuará sendo contada”, afirmou.
Já o secretário de Infraestrutura, Limpeza Urbana e Defesa Civil, Vagner Mussio, destacou que a remoção tornou-se inevitável diante do risco de queda. “Sabemos da importância histórica e afetiva desse cedro para Maringá, mas também temos por prioridade preservar vidas e garantir a segurança da população que circula pela região. Adotamos diversas medidas de segurança para a remoção da árvore”, explicou.
Novo cedro será plantado no local
Como medida compensatória, a Prefeitura informou que um novo exemplar da mesma espécie será plantado no local após a retirada do cedro histórico.
Além disso, o tronco da árvore será preservado e encaminhado temporariamente ao Parque do Ingá. Entre as possibilidades estudadas estão a manutenção em estado natural ou intervenções artísticas, conforme recomendação da Comissão Especial de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (CEPPHAC).