Deriva de agrotóxico atinge dez propriedades rurais de bicho-da-seda na região de Maringá

A cultura do bicho-da-seda é bastante sensível aos defensivos agrícolas. A larva morre quando se alimenta de uma folha de amoreira contaminada. Por isso há campanhas de orientação para que produtores rurais vizinhos aos barracões de bicho-da-seda pulverizem com muito cuidado as próprias lavouras.
Quando o agrotóxico ultrapassa as fronteiras da propriedade e atinge outras áreas, acontece a chamada deriva. E esta semana houve uma deriva de agrotóxico na região de Maringá.
Foram atingidas dez propriedades de agricultura familiar que têm barracões de bicho-da-seda, nas cidades de Mandaguaçu, Santa Izabel do Ivaí e São Jorge do Patrocínio. As perdas chegam a 40%.
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O agricultor José Pinheiro Gonçalves, de Mandaguaçu, está desanimado. Ele já tinha sofrido prejuízo com o temporal em outubro, e estava se recuperando. “Temporal também judiou bastante de nossa produção e a gente vem lutando para sobreviver. E aí, neste momento que estamos conseguindo fazer algo para se manter em pé, vem um vizinho e passa veneno na lavoura, prejudicando a gente desse jeito”, disse.
E engana-se quem pensa que a deriva é um problema só dos produtores de bicho-da-seda. Os agricultores que vivem de perto este problema observam que insetos importantes para a cadeia produtiva estão desaparecendo, como as abelhas.
O Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR), está acompanhando o caso e o objetivo é tentar identificar de onde veio a contaminação. A partir daí os agricultores prejudicados podem buscar uma indenização de forma amigável ou na Justiça, explica Oswaldo de Pádua, coordenador estadual de Sericicultura do IDR.
Adapar é a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná.
