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17 de abril de 2026

Apuração: PM criou áudio falso de IA para enganar ex-sogros após ex-mulher desaparecer no RS


Por Agência Estado Publicado 17/04/2026 às 21h30
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*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher e violência doméstica. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

O policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito pelo desaparecimento de três integrantes da mesma família em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, teria utilizado inteligência artificial para criar um áudio falso que imitava a voz da ex-mulher para enganar os ex-sogros, disse a Polícia Civil nesta sexta-feira, 17.

Cristiano foi indiciado por feminicídio, duplo homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsidade ideológica, furto, associação criminosa e abandono de incapaz. O Estadão não conseguiu localizar a defesa de Cristiano. O espaço segue aberto.

A ex-mulher de Cristiano, Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos, e Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, estão desaparecidos desde o fim de janeiro. Os investigadores apontam que o crime teria sido motivado principalmente pela disputa sobre a criação do filho de Cristiano com Silvana.

Conforme a polícia, Silvana foi vista pela última vez ao chegar em casa na noite do dia 24 de janeiro. No dia seguinte, seus pais, Isail e Dalmira, receberam uma ligação do celular de Silvana que informava que ela havia sofrido um acidente em Gramado. Porém, no momento da ligação, a polícia afirma que os celulares de Silvana e de Cristiano estavam em Gravataí. O acidente nunca ocorreu.

Sem notícias, os pais de Silvana saíram de casa para tentar registrar o desaparecimento da filha e não foram mais vistos. O desaparecimento do casal foi registrado por uma sobrinha.

Além de Cristiano, outras três pessoas também foram indiciadas: a atual esposa do policial militar, suspeita de excluir uma conta em nuvem e remover credenciais de aplicativos; o irmão dele, que teria retirado um HD de um gravador digital com imagens relevantes para a investigação; e um amigo, por falso testemunho.

Cronologia

Segundo a polícia, na noite de 24 de janeiro, um Fox vermelho, que seria de Cristiano, entrou na casa de Silvana, e um celular vinculado ao suspeito se conectou ao Wi-Fi por alguns minutos antes que ele saísse do local. Algum tempo depois, a vítima chegou à residência e o Fox retornou. Desde então, Silvana não foi mais vista.

O celular da vítima foi localizado no dia seguinte, domingo, 25, na casa do ex-marido. Naquela manhã, foi feita uma postagem a partir do aparelho de Silvana informando sobre o acidente em Gramado, diz a polícia.

Também foi realizada a suposta ligação de Silvana para os pais dela, que foram até a delegacia de Cachoeirinha. O local estava fechado, por isso, eles seguiram para uma brigada militar para relatar o desaparecimento da filha.

A investigação aponta que, ao saber da desconfiança dos ex-sogros, Cristiano teria criado um enredo para que Isail fosse à casa de Silvana. Ele afirma que Silvana teria voltado para casa e pedido ajuda para um problema elétrico. O policial entrou na residência junto de Isail e, cerca de 20 minutos depois, apenas Cristiano saiu. Isail não foi mais visto.

“É importante ressaltar que, na casa da Silvana, após a realização de perícias, foi encontrado sangue da Silvana, bem como sangue do Isail no chão da casa”, disse o Delegado Ernestos Prestes, titular da 2ª Delegacia de Polícia (DP) de Cachoeirinha.

O inquérito aponta que o PM indiciado, que teria planejado o crime com um mês de antecedência, foi em seguida até a casa de Dalmira, mãe de Silvana, para buscar mais ferramentas.

Cristiano foi preso temporariamente em 10 de fevereiro. Quase dois meses depois, no dia 8 de abril, a prisão foi convertida em preventiva. Até a publicação desta reportagem, os corpos das vítimas e o Fox vermelho não foram encontrados. Sem os cadáveres, a polícia não consegue precisar como as vítimas teriam sido assassinadas.

A polícia aponta que a manipulação de provas dificultou a investigação, uma vez que Cristiano possuía conhecimento técnico de investigação e de tecnologia da informação.

A investigação indica que, após o crime, Cristiano se desfez de seu celular original e entregou um outro aparelho à polícia. “Sob o pretexto de um acidente, entregou um novo aparelho telefone com dados já manipulados, com backups adulterados para dar um ar de legitimidade àquelas informações”, disse o delegado Diego Traesel.

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