Carnaval sustentável exige tanto criatividade quanto inovação
O CEU Papa Francisco, na zona leste de São Paulo, foi palco ontem de um debate sobre carnaval sustentável. A conversa entre Diego Carbonell, Dêmis Roberto, Lúcia Helena e Osmário Ferreira integrou os Side Events do São Paulo Innovation Week (SPIW).
Os palestrantes passaram por temas como preservação do patrimônio cultural, inovação, educação, economia circular e transformação social. Para Lúcia Helena, diretora cultural da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga SP), é necessário desmistificar e descomplicar o tema da sustentabilidade, geralmente restrito a debates técnicos. Nesse sentido, o carnaval tem sido um veículo que leva o assunto à sociedade, a exemplo do projeto Carnaval Sustentável SP.
Dêmis Roberto, vice-presidente da União das Escolas de Samba de São Paulo (Uesp), destaca que soluções de sustentabilidade devem ser pensadas desde o momento em que um carnavalesco começa a desenhar o projeto de um desfile. Isso, então, será levado para toda a cadeia produtiva do carnaval – aderecistas, costureiras, soldadores, escultores e demais profissionais envolvidos na festa devem ser orientados sobre o descarte e o reaproveitamento de materiais. “Temos de falar de sustentabilidade o ano inteiro, e a todos”, ressaltou Roberto.
“A cidade de São Paulo produz 15 mil toneladas de resíduos sólidos diariamente”, afirmou Osmário Ferreira, secretário executivo de Limpeza Urbana (Selimp) de São Paulo. “Você faz carnaval com educação ambiental, faz gestão de resíduos com educação ambiental, mas nada disso funciona sem o envolvimento coletivo. É preciso integrar o ecossistema formado por folião, folia e meio ambiente.”
Segundo Dêmis Roberto, o carnaval de base, feito pelos bairros, sempre fez o reaproveitamento de materiais – não por consciência, mas por necessidade. Em agremiações como as que integram a Uesp, que estão fora dos grupos especiais, a reciclagem tem a ver com a falta de recursos. Isso acaba alimentando a criatividade. O objetivo é alinhar essas ações que já existem à conscientização quanto à sustentabilidade. “Estamos plantando uma semente que pode não ser colhida pela nossa geração, mas que seja colhida pelas próximas.”
Abadás
No sábado, 16, um dos destaques no CEU Silvio Santos já havia sido o Projeto Refoliar, iniciativa socioambiental criada em Salvador que transforma abadás de carnaval descartados em mochilas e estojos escolares destinados a estudantes da rede pública.
A oficina de arte têxtil apresentou ao público peças produzidas a partir de resíduos que iriam para o lixo. “Apenas no ano passado, o projeto reaproveitou cerca de 4 toneladas de tecido”, contou Wanda Souza, uma das líderes do projeto.
Ela diz que o projeto está chegando à capital paulista e ficou encantada com as crianças na oficina. “São elas que vão levar a ideia de reaproveitamento e economia circular adiante.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
