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20 de abril de 2026

Esquema de MC Ryan usou conta de Deolane para lavar dinheiro de bets do PCC


Por Agência Estado Publicado 20/04/2026 às 18h12
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A influenciadora Deolane Bezerra, alvo da Operação Integration sob suspeita de lavar dinheiro de rifas e bets ilegais, é apontada como uma das operadoras de um esquema de ocultação e branqueamento de ativos a serviço do crime organizado sob liderança de MC Ryan SP, que entrou na mira da Polícia Federal na Operação Narco Fluxo e foi preso na última quarta-feira, 15.

Investigadores afirmam ter reunido indícios suficientes para detalhar a participação de Deolane no esquema, no qual ela atuaria como “conta de passagem” para a movimentação de recursos que, segundo a Polícia Federal, alcançou R$ 1,6 bilhão com plataformas de apostas ilegais.

Até a publicação deste texto, o Estadão buscou contato com a defesa de Deolane sobre a investigação, mas sem sucesso. O espaço está aberto.

A defesa de MC Ryan, apontado como pivô do esquema, afirma que “todos os valores que transitam nas contas do funkeiro possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.

A reportagem do Estadão teve acesso ao relatório da PF na Operação Narco Fluxo. Os indícios reunidos pela Polícia Federal até aqui e que embasaram a operação atribuem a Deolane o recebimento de R$ 430 mil entre 14 de maio de 2025 e 30 de junho de 2025 de MC Ryan.

Para a PF, “a transação é considerada uma evidência material do vínculo financeiro direto entre os dois investigados, demonstrando que o fluxo de caixa da produtora de Ryan, suspeita de misturar receitas de shows com recursos de apostas e rifas, irriga também as contas de aliados estratégicos que enfrentam investigações similares por lavagem de dinheiro e associação criminosa”.

A transferência de valores faz parte, na avaliação dos federais, de uma ampla engrenagem criminosa liderada por Ryan voltada à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Sobre o valor de R$ 430 mil que teria recebido de Ryan, Deolane afirmou nas redes sociais que se trata da venda de um veículo ao funkeiro. “Eu vendi um carro para o Ryan. Ele me deu um outro carro mais barato na troca e um outro valor a ser depositado na minha conta bancária”, disse a influenciadora, que acumula 22 milhões de seguidores no Instagram.

Ecossistema

Para a Polícia Federal, as operações entre Ryan e Deolane “sugerem o uso da liquidez financeira para aquisição de bens de alto valor e ações de limpeza de imagem”.

“A transferência de R$ 430 mil não aparenta ter justificativa comercial ordinária de prestação de serviços, mas serve para consolidar o elemento objetivo no sentido de que Deolane e ‘MC Ryan SP’ compartilham um ecossistema financeiro inidôneo em comum”, atesta a PF.

A análise das movimentações financeiras de Deolane Bezerra levou a Polícia Federal a identificar que a influenciadora operou com características de “conta de passagem”, com movimentação de R$ 5,3 milhões entre 14 de maio de 2025 e 30 de junho de 2025. Segundo a corporação, isso significa que os valores entram na conta e são rapidamente transferidos a terceiros ou para outras contas, sem permanecer por muito tempo, o que dificulta o rastreamento e a identificação da origem do dinheiro. Nesse intervalo, o aporte da empresa de MC Ryan SP teria se misturado a outros recursos, incluindo R$ 4,8 milhões provenientes da própria agência de publicidade da influenciadora.

Para os investigadores, essa mistura de valores dificulta separar o que teria origem lícita do que é suspeito. A investigação aponta que o destino dos recursos revela um “padrão de integração de capitais focado em ativos de luxo e gestão de imagem”.

Coincidentemente ao recebimento dos valores de Ryan, Deolane realizou uma transferência de R$ 1.165.000,00 para o Instituto Projeto Neymar Jr., além de pagamentos vultosos a empresas do setor automotivo e de blindagem.

A reportagem pediu manifestação do Instituto Projeto Neymar Jr. sobre os valores. O espaço está aberto.

Rifas digitais

O mesmo relatório de inteligência aponta que Deolane Bezerra já é investigada por crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro por meio de rifas digitais.

Segundo a Polícia Federal, a análise das movimentações reforça a suspeita de que recursos de origem ilícita circulam entre pessoas físicas e jurídicas do grupo antes de serem integrados à economia formal.

Em fevereiro, a Justiça Federal em Pernambuco anulou as investigações e decisões ligadas à Operação Integration, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro oriundo de jogos de azar via bets. À época, a apuração estava sob tutela da Polícia estadual. A Justiça Federal assumiu a competência do caso.

Deflagrada em setembro de 2024, a Integration visa uma organização criminosa suspeita de explorar jogos ilegais e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada. Segundo os autos, o grupo utilizava empresas dos setores de eventos, publicidade, câmbio e seguros para movimentar recursos ilícitos por meio de depósitos e transações bancárias.

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