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02 de março de 2026

Homem que matou ex em joalheria de SP mandou nudes dela para colegas de trabalho e fez ameaças


Por Agência Estado Publicado 02/03/2026 às 17h55
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O homem acusado de matar a facadas a ex-namorada Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, dentro da joalheria Vivara de um shopping em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, vinha perseguindo a jovem há quase um ano, segundo a Polícia Civil. Além de ameaças, ele enviou nudes da jovem para a loja onde ela trabalhava. E, quando foi ao local para assassiná-la, a intenção dele era provocar sua própria morte ao ser abordado pelos policiais.

Conforme a investigação Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, foi ao local com uma réplica de arma e, após esfaquear a jovem, ameaçou os policiais com o artefato, esperando que fosse morto. Os agentes atiraram em suas pernas e ele teve a prisão decretada.

A reportagem ainda tenta contato com a defesa de Cássio. O crime ocorreu no dia 25 de fevereiro no Shopping Golden Square, na Avenida Kennedy.

Segundo o delegado Cristiano Sacrini, do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de São Bernardo, o suspeito planejou o crime e foi ao local disposto a matar a ex-namorada e provocar sua morte pela polícia.

“Tanto que ele gravou um áudio e enviou para o irmão e o cunhado dizendo que ia se matar, mas ele não estava armado para isso. Ele estava com uma réplica que não dava para distinguir de uma arma de verdade. O que ele queria era o chamado suicídio induzido – ser morto pelos policiais”, disse Sacrini ao Estadão.

A reportagem teve acesso ao áudio que circula em redes sociais. No momento em que Cássio gravou no próprio celular, ele já tinha esfaqueado a jovem. “Rapaziada, me desculpa de todo coração, vocês sabem de tudo o que passei. Me segurei ao máximo para não fazer, mas eu matei a Cibelle, mano. Está cheio de polícia aqui, eu vou me matar, mas amo vocês.”

O suspeito vinha perseguindo e ameaçando a garota havia quase um ano, segundo a investigação. Cássio chegou a mandar fotos da ex nua para colegas de trabalho dela. “Cibelle já havia registrado boletins de ocorrência contra ele em 2023 por violência física e psicológica. Com base nisso, ela conseguiu medida protetiva contra ele. No entanto, o casal voltou a se relacionar depois”, diz o delegado.

Depois de um novo rompimento, em maio de 2025, ele passou a persegui-la de forma mais intensa, usando aplicativos de celular. “Ela o bloqueou no WhatsApp e em suas redes, mas ele tinha acesso à conta Pix dela e passou a enviar mensagens com ameaças usando o espaço reservado para anotações no aplicativo. Mesmo com a medida protetiva, ele foi à portaria do prédio dela e fez ameaças graves, segundo as testemunhas.”

Conforme o policial, a investigação reuniu provas de que o acusado pretendia acabar com qualquer possibilidade de a jovem ter uma vida normal. “Ele tinha imagens íntimas dela e passou a vazar os nudes para colegas de trabalho. Ele replicou as fotografias para chefes dela e outros contatos. O objetivo dele era fazer ela perder o emprego, sofrer humilhações. Eram mensagens muito pesadas, em que ele zombava dela”, diz.

Invasão foi confundida com assalto

O ataque aconteceu no dia 25 de fevereiro, quando a jovem estava no trabalho. O delegado diz que, no dia do crime, ele foi até o local com uma mochila, contendo a faca e a arma falsa. Ao chegar, rendeu a jovem e fechou o portão de ferro para conter a entrada da polícia – a loja tem vitrines com vidros blindados.

Segundo Sacrini, a primeira informação foi de que a joalheria estava sendo assaltada, o que fez com que várias equipes policiais, inclusive de outras cidades, como Santo André e Diadema, se dirigissem ao shopping. Quando chegaram, viram que se tratava de violência doméstica: o agressor estava trancado na joalheria e com uma refém – a vítima já estava ferida no chão e perdia sangue.

O policiais tentaram, então, uma negociação, mas o suspeito se rebelou e ameaçou os agentes. “Ele foi de forma premeditada para ceifar a vida dela e a agrediu de forma cruel e violenta. Quando a polícia chegou, ela estava estendida no chão e sangrava muito. E ele apontava a arma, que não se sabia ser uma réplica”, afirmou o delegado.

“Acreditamos que ele pretendia provocar sua morte por intervenção policial. Quando o policial atira, invade o local e o desarma, ele ainda busca a arma para ameaçar e fala ao policial: ‘me mata, me mata’.”

Cássio foi preso e levado para um hospital, onde permanece internado em UTI. A Justiça decretou sua prisão preventiva. O delegado aguarda que ele saia da unidade de terapia intensiva e receba o aval médico para prestar depoimento. Quando tiver alta, ele será encaminhado para uma unidade prisional. O suspeito não tinha outros antecedentes criminais, a não ser os registros das ameaças e agressões à ex-namorada.

Os celulares dele e da vítima foram recolhidos para perícia. O delegado pretende concluir o inquérito ainda esta semana. O suspeito será indiciado pelo crime de feminicídio – homicídio agravado pela condição de gênero – e resistência, por impedir o socorro à vítima.

Em nota, o Golden Square disse lamentar “o caso de feminicídio contra a funcionária” e afirmou que o shopping oferece apoio ao lojista e à família da vítima e que se encontra à disposição das autoridades.

A Vivara afirma prestar apoio à investigação e diz que está oferecendo suporte psicológico e assistência para todas os envolvidos diretamente no caso.

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