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01 de abril de 2026

Juros sobem com aversão ao risco global, inflação e piora na percepção fiscal


Por Agência Estado Publicado 14/03/2022 às 20h49 Atualizado 20/10/2022 às 15h41
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Os juros futuros fecharam o dia em alta firme, alinhadas ao ambiente negativo no exterior, piora na percepção de risco fiscal e do cenário de inflação. A expectativa de avanço nas negociações no conflito do leste europeu não se confirmou e, mais do que isso, houve relatos de que a China pode passar a ajudar militarmente a Rússia. Internamente, responderam pela abertura da curva a crise dos combustíveis, o pessimismo com a inflação e um possível aumento no valor do auxílio emergencial, além de temor sobre greve de caminhoneiros.

No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 13,275%, de 13,152% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2024 subiu de 12,995% para 13,21%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 12,68% (de 12,443%), e a do DI para janeiro de 2027, com taxa de 12,50% (de 12,211%).

Pela manhã, o ambiente externo, com o petróleo em baixa e esperança – revertida à tarde – de uma evolução no diálogo entre Rússia e Ucrânia, ajudava a limitar a alta dos juros, trazida pelo temor de escalada da inflação e de greve dos caminhoneiros, após mobilização de parte da categoria na sexta-feira.

Após as recentes rodadas de revisões para cima no IPCA e Selic, a pesquisa Focus mostrou elevação de 0,8 ponto porcentual na mediana da inflação para 2022, que bateu em 6,45%, muito acima do teto da meta de 5,00% definida para este ano. Foi o maior salto semanal numa projeção de inflação desde novembro de 2002. Já a mediana para a Selic este ano saiu de 12,25% para 12,75%. A mediana de IPCA para 2023, horizonte com maior peso na política monetária, se afastou ainda mais da meta central de 3,25%, passando de 3,51% para 3,70%.

Em relação aos caminhoneiros, o grande temor é uma paralisação como a que se viu em 2018, que agora causaria um prejuízo ainda maior no atual contexto de gargalos de oferta e inflação pressionada. E, quanto mais longe uma solução para o conflito no leste europeu, mais o mercado se preocupa com as commodities e os impactos na inflação e, assim, cresce o risco para as contas públicas num ano eleitoral. A possibilidade de zerar PIS e Cofins na gasolina, aventada pelo presidente Jair Bolsonaro, até poderia mitigar o impacto de repasses da Petrobras, mas a renúncia potencial estimada em R$ 30 bilhões desagrada a equipe econômica.

Rogério Braga, diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset, afirma que a segunda-feira foi difícil do ponto de vista global, não só pela falta de boas notícias vindas do leste europeu mas também pela abertura da curva dos Treasuries. “Me surpreendeu o nível do juro de 10 anos, pois normalmente o contexto de aversão resulta em corrida para os títulos americanos”, disse. Dessa vez, explica, o cenário é diferente porque a inflação é um fenômeno mundial e que preocupa bastante as autoridades monetárias, inclusive o Federal Reserve que se reúne na quarta-feira e deve trazer, além de um aperto de 25 pontos-base no juro, um discurso duro de combate à inflação em seu comunicado.

É nesse ambiente de incertezas também que se reúne o Copom na quarta. “Há muito a ser digerido pelo colegiado. Juntando tudo, nos parece estrategicamente mais acertado manter o plano de reduzir o ritmo de alta da Selic, mas sinalizar a necessidade de estender o ciclo”, disseram os economistas do Banco Original, em relatório. Tal escolha responde à piora das expectativas de inflação no Boletim Focus, com o IPCA 2023 se descolando mais da meta, além de contemplar a soma de ruídos do cenário internacional e a ideia de que estamos perto do final do ajuste monetário, o que pressupõe “ajustes mais finos”.

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