Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

28 de janeiro de 2026

Justiça suspende lei que proibia cotas raciais em universidades de SC


Por Agência Estado Publicado 27/01/2026 às 19h11
Ouvir: 00:00

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu nesta terça-feira, 27, em decisão liminar, os efeitos da lei que proibia a adoção de cotas raciais e voltadas a outras minorias em universidades públicas estaduais ou “que recebam verbas públicas” no Estado.

A norma, sancionada na semana passada pelo governador Jorginho Mello (PL), foi questionada em ação direta de inconstitucionalidade pelo PSOL, com representação na Assembleia Legislativa catarinense.

Segundo o TJSC, o partido argumenta que a lei viola a Constituição ao contrariar princípios como a igualdade material, a dignidade da pessoa humana, o combate ao racismo, o direito fundamental à educação, a gestão democrática do ensino e a autonomia universitária.

“Alega ainda que a regra representa um retrocesso social e desrespeita entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legitimidade das políticas afirmativas”, acrescenta.

A Justiça catarinense afirmou que, ao analisar o pedido de urgência, a relatora da ação, em trâmite no Órgão Especial do TJSC, destacou que a lei entrou em vigor sem período de adaptação, passando a produzir efeitos imediatos sobre o funcionamento das universidades.

A decisão aponta que a proibição das ações afirmativas vinha acompanhada de consequências jurídicas relevantes, como a anulação de processos seletivos, a aplicação de sanções administrativas, a responsabilização de agentes públicos e até a possibilidade de restrição no repasse de recursos financeiros.

No entendimento da Justiça, a manutenção provisória da lei poderia gerar situações administrativas de difícil reversão, especialmente no início do ano acadêmico, o que justificou a concessão da tutela de urgência.

Diante disso, a relatora entendeu, de forma preliminar, a plausibilidade da alegação de inconstitucionalidade material, ao considerar que a proibição ampla e genérica de ações afirmativas de cunho étnico-racial apresenta aparente incompatibilidade com o regime constitucional da igualdade material e com os objetivos de redução das desigualdades e de combate à discriminação.

A decisão também lembra que a jurisprudência do STF já reconheceu a constitucionalidade das políticas de ação afirmativa, inclusive aquelas com recorte racial, como instrumentos legítimos de promoção da justiça social. Além disso, foram identificados indícios de que a lei interferiu na organização das instituições de ensino, matéria reservada à iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo.

Com base nesses fundamentos, o TJSC determinou a suspensão dos efeitos da lei até o julgamento definitivo pelo colegiado. O governo do Estado de Santa Catarina e a Assembleia Legislativa foram intimados, no prazo de 30 dias, para prestar informações.

Como mostrou o Estadão, na segunda-feira, 26, o ministro Gilmar Mendes, do STF, já havia dado prazo de 48 horas para que a Assembleia Legislativa e o governo estadual prestem esclarecimentos sobre a lei.

Além do Executivo e do Legislativo estaduais, o ministro determinou que a reitoria da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) preste informações, também no prazo de 48 horas, sobre o estágio atual do processo seletivo do vestibular 2026/1. Uma das instituições diretamente afetadas pela norma, a Udesc tem cerca de 14 mil estudantes, distribuídos em mais de 60 cursos de graduação e em mais de 50 programas de mestrado e doutorado.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Adolescentes suspeitos de matar cão Orelha já tinham tentado afogar outro cachorro, diz polícia


Os quatro adolescentes apontados como os agressores do cãozinho Orelha, que morreu em Santa Catarina após passar por um procedimento…


Os quatro adolescentes apontados como os agressores do cãozinho Orelha, que morreu em Santa Catarina após passar por um procedimento…

Geral

Sargento da Polícia Militar é punido com três dias de detenção por tamanho do seu bigode


O segundo sargento da Polícia Militar Samuel de Araújo Lima, que está há 35 anos na corporação, foi punido com…


O segundo sargento da Polícia Militar Samuel de Araújo Lima, que está há 35 anos na corporação, foi punido com…

Geral

Síndico de prédio onde corretora desapareceu em Caldas Novas nega envolvimento no caso


A defesa de Cléber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, em Caldas Novas (GO), divulgou uma nota sobre…


A defesa de Cléber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, em Caldas Novas (GO), divulgou uma nota sobre…