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01 de abril de 2026

Lagarde: riscos para estabilidade financeira aumentaram desde o início deste ano


Por Agência Estado Publicado 20/06/2022 às 19h25 Atualizado 21/10/2022 às 01h25
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira, 20, que os riscos para a estabilidade financeira da zona do euro aumentaram desde o início deste ano.

“A mudança das condições financeiras no contexto da normalização em curso da política monetária e a invasão da Ucrânia pela Rússia estão afetando a recuperação. A inflação elevada prolongada e a deterioração das perspectivas de crescimento devido ao forte aumento dos preços da energia, dos alimentos e das matérias-primas conduzem a um aumento do custo do financiamento e afetam a capacidade de serviço da dívida”, argumentou, durante discurso no Parlamento Europeu, em que ela respondeu perguntas como presidente do Comitê Europeu de Risco Sistêmico (ESRB).

A banqueira central destacou que o impacto da guerra na Ucrânia para o setor bancário europeu foi contido até agora. No entanto, ela ponderou que uma deterioração renovada na qualidade dos ativos bancários pode ocorrer, já que alguns bancos ainda estão no processo de resolver problemas de qualidade de ativos relacionados à pandemia.

“Nossa principal preocupação não são as exposições diretas dos bancos à Rússia ou a empresas diretamente afetadas pelas sanções, mas sim o amplo impacto da guerra no crescimento econômico e, concomitantemente, nos riscos de crédito e de mercado”, afirmou. “O aumento das taxas de juros em combinação com a deterioração das perspectivas de crescimento exerceram pressão baixista sobre os preços dos ativos. Essas pressões foram agravadas pela invasão russa da Ucrânia. Embora a correção dos preços dos ativos tenha sido ordenada até agora, o risco de uma queda adicional e possivelmente abrupta nos preços dos ativos permanece grave”, completou.

Além disso, de acordo com Lagarde, a normalização da política monetária está resultando na subida das taxas bancárias para empréstimos, o que poderá reduzir a procura de crédito e de aquisição de imóveis. “Especialmente em países com alta proporção de hipotecas de taxa variável, o aumento das taxas de juros pode se tornar um fardo significativo para famílias altamente endividadas. Além disso, a erosão da renda real devido a uma inflação persistentemente elevada pode afetar a capacidade de serviço da dívida domiciliar. Juntos, esses fatores estão aumentando o risco de correção dos preços dos imóveis”, analisa.

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