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05 de fevereiro de 2026

Moraes cobra explicações de MPRJ, CNJ e governo do Rio sobre operação com 122 mortos


Por Agência Estado Publicado 05/02/2026 às 19h19
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o governo do Estado do Rio de Janeiro prestem esclarecimentos sobre a atuação na megaoperação, que deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais, em outubro do ano passado, nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital. A decisão foi publicada nesta quinta-feira, 5, na ADPF das Favelas, que trata da política de segurança pública no Estado.

Considerada a operação policial mais letal da história do País, a ação teve como alvo a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Após a operação, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados concluiu, em relatório, que houve “grave violação dos direitos humanos, com indícios consistentes de execuções, torturas, ocultação de cadáveres, adulteração de cenas de crime e abuso institucional”.

Procurado, o governo do Rio afirmou que ainda não foi notificado e que, quando for, cumprirá todas as determinações do STF nos prazos estabelecidos.

Já o MPRJ e o CNJ ainda não se manifestaram até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

No despacho, Moraes afirmou que o conjunto de manifestações apresentadas nos autos contém informações “por vezes contraditórias” e que ainda são necessários esclarecimentos complementares para avaliar tanto a Operação Contenção quanto o cumprimento das decisões estruturantes do STF sobre segurança pública no Rio.

O ministro concedeu prazo de cinco dias para que o MPRJ esclareça sua participação em todas as etapas da operação, em especial no exercício do controle externo da atividade policial. Moraes cobra que o órgão detalhe por que essa atribuição foi desempenhada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – e não pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) -, além de exigir a apresentação do protocolo adotado no caso, com indicação dos membros responsáveis e das medidas tomadas.

Criado em fevereiro de 2025, o Gaesp foi instituído justamente para monitorar a letalidade e eventuais violações de direitos humanos em operações policiais, além de acompanhar o cumprimento das decisões do STF na ADPF das Favelas e da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Ao CNJ, Moraes determinou que informe o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo estadual em dezembro, após a operação.

Já ao governo do Rio, o ministro ordenou que todas as câmeras e imagens capturadas durante a Operação Contenção sejam enviadas à Diretoria-Geral da Polícia Federal para perícia, com transcrição e laudo técnico, no prazo de 15 dias após a remessa.

Megaoperação contra o CV

A megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha foi a mais letal da história do País. Deflagrada em 28 de outubro, a ação mobilizou as polícias civil e militar para cumprir 180 mandados de prisão e busca e apreensão. Além dos 122 mortos, também houve bloqueio de vias e suspensão de serviços em diversas regiões da cidade.

Segundo o governo do Rio, o objetivo era conter o avanço da facção e prender lideranças criminosas. À época, o governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como “um sucesso”. Já a Defensoria Pública do Estado, por sua vez, apontou indícios de ilegalidades e violações de direitos durante a ação.

O que é a ADPF das Favelas

A ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) é uma ação ajuizada no STF para evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do poder público. No caso da ADPF das Favelas, a Corte determinou uma série de medidas ao governo do Rio de Janeiro para reduzir a letalidade policial no Estado e estabelecer parâmetros mais rígidos para operações em comunidades.

O ministro Alexandre de Moraes assumiu temporariamente a relatoria da ação após o ministro Luís Roberto Barroso antecipar sua aposentadoria. Barroso havia herdado o caso quando o ministro Edson Fachin, relator original, assumiu a presidência do STF.

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