Multinacional dona de marca famosa anuncia fechamento de fábrica e demissão de 1.700 trabalhadores
A fabricante sueca de eletrodomésticos Electrolux anunciou um amplo plano de reestruturação na Itália que prevê o fechamento de uma fábrica e a demissão de aproximadamente 1.700 trabalhadores. O número representa mais de 40% da força de trabalho da companhia no país e acendeu um alerta entre sindicatos e autoridades italianas.
A medida foi divulgada após uma reunião entre representantes da empresa e sindicatos do setor metalúrgico. Segundo as entidades sindicais, a multinacional pretende encerrar as atividades da unidade de produção de coifas de cozinha localizada em Cerreto d’Esi, próximo à cidade de Ancona, na região central da Itália.

Além do fechamento da fábrica, a empresa também pretende reduzir o quadro de funcionários em outras unidades industriais espalhadas pelo país. Atualmente, a Electrolux mantém cinco fábricas em território italiano e emprega cerca de 4.500 pessoas.
Crise no mercado europeu pressiona a Electrolux
A decisão ocorre em meio a um cenário desafiador para a fabricante. Nos últimos anos, a companhia tem enfrentado queda na demanda por eletrodomésticos, especialmente na Europa, além do avanço da concorrência de empresas que oferecem produtos com preços mais competitivos.
O impacto desses fatores também foi sentido no mercado financeiro. As ações da Electrolux chegaram a acumular desvalorização de até 75% em relação aos picos registrados em 2021.
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Diante desse contexto, a multinacional vem promovendo uma série de mudanças para recuperar sua rentabilidade. Entre as estratégias adotadas estão cortes de custos, redução de operações e foco maior em produtos premium, considerados mais lucrativos.
Concorrência asiática e aumento dos custos
De acordo com Gianluca Ficco, representante do sindicato UILM que participou das negociações em Veneza, a empresa destacou uma combinação de fatores que estaria pressionando seus resultados.
Segundo ele, a Electrolux apontou a situação delicada do mercado europeu, o aumento dos custos de produção e a crescente concorrência de fabricantes asiáticos como elementos centrais para justificar o plano de reestruturação.
A fabricante não comentou imediatamente as informações divulgadas pelos sindicatos.
Sindicatos reagem e convocam greve
A notícia provocou forte reação dos trabalhadores. Os sindicatos italianos UILM, FIM e FIOM anunciaram uma greve de oito horas nas unidades da Electrolux na Itália e solicitaram a intervenção do governo para tentar preservar empregos e atividades industriais.
O Ministério da Indústria da Itália informou que acompanha a situação de perto e sinalizou disposição para atuar como mediador nas negociações.
“O Ministério pretende realizar todas as atividades de monitoramento necessárias e manter um diálogo constante e estruturado com a empresa e os sindicatos”, frisou em comunicado.
Parceria com a Midea e novos ajustes globais
Durante as reuniões, a Electrolux também teria descartado a possibilidade de uma parceria com a fabricante chinesa Midea na Itália, apesar de ter anunciado recentemente um acordo semelhante para o mercado norte-americano.
Na América do Norte, a empresa enfrenta dificuldades há vários anos e aposta na cooperação com a companhia chinesa para fortalecer sua atuação na região.
Além disso, a multinacional anunciou uma emissão de ações de 9 bilhões de coroas suecas, equivalente a aproximadamente US$ 977 milhões, com o objetivo de financiar a parceria, reduzir dívidas e acelerar seu programa de corte de custos.
Fechamentos de fábricas se acumulam
O anúncio na Itália faz parte de uma estratégia global de reestruturação da Electrolux. Nos últimos meses, a fabricante já havia confirmado o encerramento de operações industriais em outros países.
Entre os casos mais recentes estão o fechamento de uma fábrica na Hungria e outra no Chile, medidas que reforçam o esforço da companhia para adaptar sua estrutura ao novo cenário do mercado global de eletrodomésticos.
Com o fechamento da unidade italiana e a redução de milhares de postos de trabalho, a empresa amplia uma política de ajustes que busca recuperar a competitividade diante da desaceleração do consumo e da crescente pressão exercida por concorrentes internacionais.
