Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

14 de maio de 2026

Por que a Mata Atlântica enfrenta ‘encruzilhada’ entre desmatamento zero e extinção


Por Agência Estado Publicado 14/05/2026 às 08h27
Ouvir: 00:00

Bioma mais devastado historicamente do Brasil, a Mata Atlântica se encontra em uma encruzilhada que ilustra o desafio do Brasil para zerar o desmatamento até 2030.

Os dois principais sistemas de monitoramento do bioma indicaram queda nas taxas de desmate no ano passado, segundo divulgado nesta quarta-feira, 13, pela Fundação SOS Mata Atlântica.

Houve queda de 28% no desmatamento registrado pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela organização em parceria com MapBiomas e Arcplan. A área desmatada caiu de 53.303 hectares em 2024 para 38.385 hectares em 2025, menor índice desde 2022, quando o monitoramento teve início.

Já o desmatamento em florestas maduras do ecossistema foi de 8.658 hectares no período de 2024 a 2025, segundo monitoramento feito em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o que representa uma redução de 40% em relação ao ano anterior.

É o menor valor da série histórica (desde 1985) do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, mapeamento pioneiro no País da vegetação nativa de um bioma.

O balanço divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica utiliza dois sistemas de monitoramento: um capta através de imagens de satélite os grandes fragmentos florestais do bioma, com mais de três hectares, e tem uma série histórica mais longa; outro, mais recente, compila alertas semanais que auxiliam o trabalho dos órgãos de fiscalização e funciona como uma “lente” mais potente, que enxerga desmatamentos a partir de 0,3 ha.

Dá para comemorar?

A boa notícia pede cautela. Apesar da queda, a perda registrada no ano passado ainda equivale a 33 campos de futebol subtraídos por dia de matas maduras.

“O desmatamento diminuiu muito, mas ainda é bastante para um bioma tão destruído”, observa Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica. “A gente ainda tem um cenário em que é possível a extinção da Mata Atlântica em algumas regiões do País, como já ocorreu em outras”.

Para ele, os resultados positivos – presentes também em outros biomas – estão ligados principalmente a medidas que atingem o bolso dos desmatadores, como o corte de crédito rural e embargo de áreas com desmatamento ilegal, suspendendo a venda de seus produtos.

A convivência entre desmatamento (ainda que em tendência de queda) e recuperação florestal na Mata Atlântica aponta para dois caminhos possíveis: um promissor e um trágico, segundo Guedes Pinto.

No promissor, a Mata Atlântica pode se tornar o primeiro bioma a zerar o desmatamento, uma “volta por cima” que seria exemplo para o mundo. No trágico, ela desaparece onde está mais fragilizada e fica reduzida a apenas alguns fragmentos, e outros biomas, como a Amazônia, podem seguir o mesmo curso.

A lei da Mata Atlântica foi um divisor de águas para os índices de desmatamento do bioma, muito altos até os anos 1990 e início de 2000. Neste ano, em que ela completa duas décadas, especialistas alertam que uma alteração feita pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental, em vigor desde fevereiro, pode aumentar o risco de devastação nos principais remanescentes da floresta.

Com a norma, o desmate em áreas de vegetação primária e secundária, e em estágio médio a avançado de regeneração da Mata Atlântica tornou-se passível de ser liberado por municípios, possivelmente com menor capacidade técnica e mais sujeitos a pressões locais do que os órgãos licenciadores estaduais e federais.

Onde o desmatamento na Mata Atlântica está concentrado?

Atualmente, as regiões com maior desmatamento no bioma estão no Vale do Jequitinhonha, entre Minas Gerais e Bahia, e no Piauí em uma região de transição com o Cerrado e a Caatinga.

Também há focos no Mato Grosso do Sul, na transição com o Pantanal, e na parte central do Paraná e de Santa Catarina, embora os Estados do sul tenham tido redução expressiva no desmatamento de Mata Atlântica nos últimos anos.

O SAD aponta redução da derrubada em 11 dos 17 Estados do bioma, com destaque para Bahia e Piauí, que no entanto seguem entre os maiores responsáveis pela perda de área de Mata Atlântica:

– Bahia – 17.635 ha
– Minas Gerais – 10.228 ha
– Piauí – 4.389 ha
– Mato Grosso do Sul – 1.962 ha

Juntos, os Estados acima detêm quase 90% da área desmatada em 2025. Nos demais, as perdas ficaram abaixo de 1.000 hectares.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Explosão no Jaguaré: famílias escolherão por reconstrução de casas ou novos endereços


As famílias afetadas pela explosão ocorrida no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, poderão escolher entre diferentes alternativas de moradia…


As famílias afetadas pela explosão ocorrida no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, poderão escolher entre diferentes alternativas de moradia…

Geral

Segundo dia do São Paulo Innovation Week traz neurociência, limites da IA e potência humana


O segundo dia do São Paulo Innovation Week amplia a aposta do festival em entrecruzar tecnologia, comportamento, ciência, arte, negócios…


O segundo dia do São Paulo Innovation Week amplia a aposta do festival em entrecruzar tecnologia, comportamento, ciência, arte, negócios…