Principal praia de nudismo de SC pode acabar por mau comportamento de frequentadores

Vídeos de homens praticando atos sexuais em plena luz do dia na Trilha da Galheta, em Florianópolis (SC), viralizaram nas redes sociais e provocaram uma audiência pública na Câmara Municipal da capital catarinense. A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) abriu investigação após as imagens serem expostas pelo ex-vereador Bruno Souza (PL), que abordou os envolvidos com megafone e mencionou o artigo 233 do Código Penal, que trata da prática de ato obsceno em locais públicos. As denúncias, que repercutiram nacionalmente, colocam em risco o futuro da Praia da Galheta como principal destino de naturismo do Brasil.
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Os vereadores Rafael de Lima (PSD), Ricardo Pastrana (PSD), Claudinei Marques (Republicanos), Manu Vieira (PL) e João Padilha (PL) protocolaram pedido para discutir alternativas que garantam segurança e preservação ambiental. A audiência pública está prevista para a próxima semana e reunirá autoridades, moradores e representantes de órgãos públicos para debater situações relatadas por frequentadores da região.
O objetivo é construir soluções integradas que devolvam a trilha ao seu propósito original: o contato harmônico e respeitoso entre o ser humano e a natureza. A data exata ainda depende dos trâmites internos da Câmara para ser oficialmente marcada.
As imagens foram gravadas na trilha e mostram homens praticando atos íntimos em um dos principais acessos à praia, local utilizado diariamente por turistas, esportistas e famílias. Além de apurar possíveis crimes relacionados aos atos, os investigadores analisam denúncias de danos ambientais em área considerada de preservação. A PCSC suspeita de intervenções irregulares na vegetação e abertura de caminhos clandestinos, provocando impactos ao ecossistema local.
Os vereadores defendem que as trilhas sejam espaços seguros para qualquer pessoa, independentemente de idade ou perfil. Eles ressaltam a diferença entre a prática do naturismo, permitida na Praia da Galheta desde 1997, e comportamentos ilegais em áreas públicas. O requerimento solicita participação da Guarda Municipal, Polícia Militar e Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) para apresentar diagnósticos e possíveis soluções.
O advogado José Cláudio Becker destaca que o naturismo é uma prática reconhecida e diferente de atos sexuais realizados em espaços públicos. “Enquanto o naturismo está relacionado à convivência social sem roupas em locais apropriados, atos sexuais ou obscenos em áreas públicas podem configurar infrações previstas na legislação brasileira”, afirma.
A Praia da Galheta está localizada entre a Praia Mole e a Barra da Lagoa, sem acesso por carros e cercada por costões e vegetação nativa. Desde a década de 1980 é frequentada por adeptos do naturismo. Em 1997, Florianópolis reconheceu oficialmente a área como espaço destinado à prática do naturismo por meio de legislação municipal. O local ganhou fama pelas belezas naturais, trilhas ecológicas e se consolidou como importante ponto turístico da capital catarinense.
Entre os temas que devem entrar em pauta estão reforço da fiscalização, implantação de medidas de monitoramento, campanhas educativas e ações voltadas à proteção ambiental e segurança dos frequentadores. As autoridades ressaltam que a permissão para frequentar o local sem roupas não autoriza relações sexuais em espaços públicos. Imagens captadas na região serão periciadas e testemunhas deverão ser ouvidas para esclarecer as circunstâncias dos fatos.
Com informações do TNOnline.
