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23 de abril de 2026

Quem são os 4 brasileiros presos nos EUA por suspeita de enriquecerem enganando imigrantes


Por Agência Estado Publicado 23/04/2026 às 16h37
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Uma operação conjunta das autoridades do Condado de Orange, da Flórida, nos Estados Unidos, prendeu quatro brasileiros suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude e extorsão ligado à empresa Legacy Imigra.

Segundo as investigações, o grupo é acusado de enganar imigrantes em situação irregular com promessas de serviços de imigração e asilo, acumulando mais de US$ 20 milhões ao longo dos últimos três anos. A defesa dos envolvidos não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.

Foram detidos o fundador da empresa, Vagner Soares De Almeida, a esposa Juliana Colucci, além dos associados Ronaldo Decampos e Lucas Felipe Trindade Silva.

“Por anos, a Legacy Imigra se promoveu como uma agência de serviço completo, cujos advogados cuidavam de processos de imigração e asilo para imigrantes que buscavam status legal nos Estados Unidos. Em vez disso, Vagner Soares de Almeida, sua esposa Juliana Colucci, e seus associados acumularam mais de US$ 20 milhões, lucrando com pessoas da nossa comunidade menos capazes de se defender”, explicou o xerife John Mina, do Condado de Orange.

De acordo com ele, os suspeitos brasileiros “enriqueceram por meio de um modelo de negócio baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão”. “E a maioria dos clientes, a maioria brasileiros, não chegou mais perto do sonho de se tornarem americanos”, afirmou.

Os quatro presos responderão por acusações de organização criminosa, fraude organizada, extorsão e exercício ilegal da advocacia. “A organização criminosa tornou Almeida muito rico”, disse o xerife.

Como funcionava o esquema

Segundo as autoridades americanas, as denúncias das vítimas mostram que a empresa conduzia um esquema para enganar imigrantes em busca de regularização nos EUA. Os suspeitos afirmavam falsamente que eram advogados de imigração qualificados e cobravam taxas elevadas “por solicitações fraudulentas ou mal preenchidas”.

Até o momento, sete vítimas cooperaram com a investigação, mas o xerife disse acreditar existam centenas de outras. As vítimas que denunciaram são da Flórida, Carolina do Sul, Connecticut e Nova Jersey. Conforme o xerife, cada vítima teve prejuízo entre US$ 2.500 e US$ 26 mil.

“As vítimas disseram que, uma vez que se comprometiam financeiramente e começavam a pagar, a Legacy aumentou seu controle. A empresa criou contas de e-mail em nome das vítimas, sem conhecimento ou consentimento, e reteve documentos dizendo às vítimas que não receberiam seus papéis a menos que pagassem mais dinheiro”, contou John Mina.

Ele explicou ainda que a retenção dos documentos de imigração foi usada como forma de pressão “explorando o medo das vítimas de serem deportadas dos EUA”.

O caso chegou ao conhecimento das autoridades dos EUA em setembro do ano passado, quando um advogado da Ordem da Flórida entrou em contato com o xerife dizendo que havia recebido múltiplas denúncias envolvendo a empresa.

A ação foi conduzida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Orange em conjunto com o Departamento de Investigações de Segurança Interna (HSI) e o Gabinete do Procurador-Geral da Flórida. As autoridades orientam possíveis vítimas a entrarem em para colaborar com o caso.

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