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08 de abril de 2026

Um super El Niño a caminho? Veja quais são os riscos para o Brasil, segundo especialistas


Por Agência Estado Publicado 07/04/2026 às 14h44
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É grande a chance de 2026 ser mais um ano marcado pelo fenômeno climático El Niño. De acordo com último boletim da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, há 62% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer entre junho e agosto deste ano. A partir de agosto, a chance aumenta ainda mais e chega a 80% até o fim do ano. Já há quem fale em super El Niño.

Beautiful shot of a lightning strike in zagreb, croatia
Brasil na rota do super El Niño? Foto: Freepik

Segundo a previsão, as temperaturas podem ficar até dois graus acima da média no segundo semestre, o que é suficiente para alterar a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas em todo o planeta.

“Para os próximos meses é esperado um aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico que deve dar origem ao fenômeno que conhecemos com El Niño”, afirma o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo Ok. “A formação desse fenômeno deve ser mais intensa no segundo semestre, a partir junho, no auge do inverno brasileiro.”

O El Niño é um fenômeno natural de aquecimento das águas do Pacífico Sul. De forma geral, ele provoca o aumento das temperaturas médias do planeta e o regime de chuvas. O fenômeno vem sendo pontecializado por conta do aquecimento global, que afeta os padrões climáticos mundiais e torna mais frequentes os eventos extremos.

No Brasil, normalmente, o El Niño aumenta o risco de secas nas regiões Norte e Nordeste e favorece grandes volumes de chuva no Sul. Por isso mesmo, as novas previsões já acenderam o alerta por aqui: existe risco de termos uma nova tragédia no Rio Grande do Sul, como a do supe El Niño de 2024?

Naquela ocasião, o governo gaúcho contabilizou 184 mortes e classificou a situação como “a maior catástrofe climática da história do Estado”.

“O El Niño aumenta as chances de enchentes no sul do Brasil porque costuma provocar chuva acima da média na região”, explica a climatologista Karina Bruno Lima, diretora científica da comitê nacional da Associação de Pesquisadores Polares em Ínicio de Carreira (Apecs-Brasil).

“Mas os eventos de El Niño (e La Niña) nunca são iguais e, além disso, o desastre de 2024 teve causa multifatorial, com uma conjuntura climática bastante complexa. Também houve vulnerabilidades agravadas pela falta de preparo e isso tem influência no grau dos danos. Então é difícil fazer esta previsão neste momento.”

Márcio Bueno, da Tempo Ok, concorda com a colega. “Na região Sul, o fenômeno atua principalmente provocando precipitações acima da média; ou seja, pode ser que tenhamos precipitações persistentes ao longo do período e os principais impactos da ocorrência de muita chuva são as enchentes e alagamentos”, afirma.

“Mas é importante lembrar que esse fenômeno sozinho não modula o clima da região, existem outros fatores que têm impacto; então, não necessariamente teremos eventos extremos. É importante estar atento à previsão do tempo.”

Antes disso, no entanto, a previsão é de termos um período de neutralidade climática, entre maio e junho, com o fim do La Niña, que prevaleceu em 2025 e o início do El Niño.

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