
Carlos Eduardo Buscariollo, investigado pelo envolvimento no desaparecimento e morte de quatro homens em Icaraíma, no noroeste do Paraná, foi preso nesta segunda-feira (18) no município de Nova Odessa, interior de São Paulo. Segundo informações preliminares, a detenção ocorreu em uma investigação relacionada ao tráfico de drogas e não teria ligação direta com o inquérito dos homicídios apurados pela Polícia Civil do Paraná (PCPR).
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A PCPR informou que a prisão foi realizada por forças de segurança paulistas e esclareceu que não participou diretamente da operação. De acordo com a corporação, detalhes sobre a captura e os procedimentos adotados devem ser solicitados às autoridades responsáveis em São Paulo.
Nova Odessa fica a cerca de 15 quilômetros de Santa Bárbara d’Oeste, cidade paulista de origem da família Buscariollo. Carlos Eduardo e Carlos Henrique Buscariollo são filhos de Antônio Buscariollo, conhecido como “Tonhão”, que continua foragido.
Em março, a Polícia Civil do Paraná cumpriu mandados de busca e apreensão contra Carlos Henrique e Carlos Eduardo Buscariollo em uma operação com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Na ocasião, Carlos Eduardo foi encontrado com aproximadamente R$ 50 mil em dinheiro.
Segundo a PCPR, a ação realizada naquele período estava relacionada às investigações sobre o caso de Icaraíma. Já a prisão desta segunda-feira ocorreu em outra apuração, ligada ao tráfico de drogas.
A polícia paranaense afirmou ainda que o inquérito sobre o quádruplo homicídio segue em andamento.
Relembre o caso
Nos dias que sucederam 5 de agosto de 2025, enquanto as primeiras notícias sobre o desaparecimento de quatro homens chegavam à redação do OBemdito, o cenário ainda era de incertezas. O que parecia inicialmente um desacordo comercial acabou se revelando um dos crimes mais brutais e complexos já registrados no Paraná.
A data marca o último dia em que Alencar Gonçalves de Souza Giron, de 36 anos, Diego Henrique Affonso, de 39, Rafael Juliano Marascalchi, de 43, e Robishley Hirnani de Oliveira, de 53 anos, foram vistos com vida, em Icaraíma, no Noroeste do Estado.
Desde então, a investigação revelou indícios de execução múltipla, ocultação de cadáveres, uso de armas de calibres restritos, estruturas subterrâneas utilizadas como bunker e possíveis conexões com o crime organizado em área rural.
Disputa por terra levou à emboscada
As investigações da Polícia Civil apontam que o crime teve origem em um conflito financeiro envolvendo um sítio de cinco alqueires, avaliado em aproximadamente R$ 750 mil, localizado no distrito de Vila Rica do Ivaí, em Icaraíma.
Diferentemente do que se afirmou inicialmente, Alencar não vendeu, mas comprou a propriedade de Antônio Buscariollo, de 66 anos, pagando R$ 255 mil à vista. O restante seria quitado por meio de financiamento bancário, que acabou negado, levando ao distrato do negócio.
O acordo previa a devolução do valor pago em dez parcelas de R$ 25 mil, mediante emissão de notas promissórias em nome de Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, outro filho de Antônio, residente em São Paulo. Com o atraso nos pagamentos, Alencar decidiu cobrar a dívida.
Cobradores vindos de São Paulo
Para realizar a cobrança, Alencar contratou Diego Henrique Affonso, que levou Rafael Marascalchi e Robishley de Oliveira, ambos de São José do Rio Preto (SP). Segundo a investigação, Rafael viajou contra a vontade da esposa e aguardava o nascimento da segunda neta.
O grupo chegou a Icaraíma em 4 de agosto e fez um primeiro contato com os Buscariollo. No dia seguinte, retornou à zona rural para nova tentativa de negociação, logo após serem filmados tomando café em uma panificadora da cidade. As imagens se tornaram um dos últimos registros das vítimas com vida.
Execução em plena luz do dia
Laudos divulgados em 10 de dezembro de 2025 indicam que os quatro homens foram executados por volta das 12h30 de 5 de agosto, logo após chegarem à propriedade rural.
As análises descartaram tortura ou cárcere privado. As vítimas foram mortas dentro ou ao lado da caminhonete Fiat Toro branca, placas FTV-9H79, ano 2019, atingidas por disparos efetuados com pelo menos cinco armas diferentes, a partir de três posições distintas.
Foram identificadas munições dos calibres .223, 5.56, .45, .40, calibre 12 e 9mm, incluindo armamento de uso restrito. O padrão do ataque indica a participação de pelo menos cinco pessoas, embora apenas dois suspeitos tenham mandados de prisão expedidos.
Carro ocultado em bunker
A caminhonete foi localizada apenas em 12 de setembro, enterrada em uma vala profunda em área de mata, dentro de um bunker, que é uma estrutura frequentemente utilizada para ocultação de drogas, armas e veículos.
A retirada ocorreu na madrugada do dia 13, após mais de dez horas de trabalho com apoio de maquinário da prefeitura e guincho. O veículo apresentava marcas de tiros, vestígios de sangue e objetos pessoais das vítimas, como um boné de Diego. Nenhum corpo foi encontrado no local.
As informações são do Portal O Bemdito.