Neonazista brasileiro condenado por duplo homicídio é preso na Itália após investigação da Polícia Civil de Sarandi

O neonazista brasileiro João Guilherme Correa, considerado foragido da Justiça, foi preso na manhã de sábado, 27 na região de Pavia, no norte da Itália, a pouco mais de uma hora de Milão. A captura foi resultado de uma ação de cooperação internacional, que contou com o trabalho de investigação da Polícia Civil do Paraná, por meio da Delegacia de Polícia de Sarandi.
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Segundo a Polícia Civil, Correa possuía um mandado de prisão definitivo decorrente da condenação a 35 anos, dois meses e 15 dias de reclusão pelo crime de homicídio qualificado. Além disso, havia contra ele um mandado de prisão preventiva pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo.
No momento da abordagem, realizada pela polícia italiana, João Guilherme Correa apresentou um passaporte falso. Após a prisão, ele foi encaminhado para a Delegacia Central de Milão, onde deverá permanecer à disposição da Justiça italiana até a conclusão do processo de extradição para o Brasil.
Investigação da Polícia Civil de Sarandi foi decisiva
As investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia de Sarandi tiveram papel fundamental na localização do foragido. Durante as diligências, policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao círculo familiar e a pessoas próximas do investigado no município.
Em maio de 2026, os investigadores apreenderam aparelhos celulares pertencentes à namorada e aos pais de João Guilherme Correa. A análise do material permitiu identificar elementos que ajudaram a reconstruir sua rota de fuga, indicando que ele havia deixado o Brasil com destino à Europa.
As informações reunidas pela Polícia Civil do Paraná subsidiaram a cooperação entre autoridades brasileiras e italianas, possibilitando a localização e a prisão do condenado em território europeu.
Fuga ocorreu antes da condenação
João Guilherme Correa fugiu do Brasil em 20 de março de 2025, apenas três dias antes do julgamento que o condenou pelo assassinato de Bernardo Pedroso e Renata Pereira, mortos a tiros em Curitiba, em 2009.
Na mesma sessão do Tribunal do Júri, Jairo Maciel Fisher também foi condenado, recebendo pena de 32 anos e três meses de prisão. Conforme a denúncia do Ministério Público do Paraná, o casal foi executado em uma emboscada motivada por uma disputa pelo comando de um grupo de ideologia neonazista que cultuava Adolf Hitler. O crime ocorreu após uma festa organizada para celebrar os 120 anos do nascimento do ditador alemão.
Como o foragido escapou
De acordo com as investigações, Correa conseguiu fugir após enganar o sistema de monitoramento eletrônico.
Na véspera do julgamento, ele entrou em contato com a central responsável pela tornozeleira eletrônica alegando que precisava realizar uma cirurgia de emergência e solicitou a desativação temporária do equipamento. Após receber orientações sobre a documentação necessária, a tornozeleira foi desligada no dia seguinte.
Entretanto, ele não compareceu ao procedimento médico nem ao julgamento, desaparecendo logo depois. Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi o fato de o passaporte do condenado não ter sido cancelado antes da fuga. O nome de João Guilherme Correa somente foi incluído na lista de difusão vermelha (Red Notice) da Interpol em outubro de 2025.
Vida escondida na Itália
Após a prisão, moradores da propriedade rural onde Correa estava hospedado relataram que ele havia alugado uma acomodação alegando que faria aulas de equitação. Segundo os proprietários, o brasileiro mantinha uma rotina discreta e costumava sair pela manhã para correr pelas proximidades.
Foi justamente durante uma dessas corridas que ele acabou localizado e preso pelas autoridades italianas.
Organização neonazista
Além da condenação pelo duplo homicídio, João Guilherme Correa também responde a processo por suposta participação na organização neonazista internacional Hammerskin Nation. Conforme a investigação policial, ele exerceria função de liderança na divisão brasileira do grupo.
