Quem é o empresário preso após atropelar e matar motoboy em Maringá: ‘Ele não pode ficar impune’, diz advogada da família

O empresário do setor agroindustrial Márcio Fantin Marcelino, de 46 anos, preso após atropelar e matar o motoboy, pastor e radialista Alex Batista Pereira, de 31 anos, em Maringá, segue detido após passar por audiência de custódia nesta segunda-feira, 18. A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, e ele deve responder, a princípio, por homicídio doloso, omissão de socorro e disparo de arma de fogo. O acidente aconteceu na noite de sábado, 16.
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Quem é o empresário preso em Maringá?
Márcio Fantin Marcelino atua no ramo agroindustrial como produtor rural e possui participação societária em 13 empresas, sendo 11 ainda ativas, ligadas principalmente ao setor de cultivo de cana-de-açúcar, comércio atacadista de insumos agropecuários e compra e venda de imóveis. Em 2017, ele também exerceu a função de diretor de uma Cooperativa Agroindustrial.
Segundo informações já levantadas pela investigação, Márcio também possui antecedentes relacionados à embriaguez ao volante e porte ilegal de arma de fogo, o que deverá ser analisado durante o andamento do processo.
Como aconteceu o acidente que matou Alex Batista
O acidente ocorreu no cruzamento da Rua Felipe Camarão com a Rua Martim Afonso, na Zona 2 de Maringá.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo conduzido pelo empresário invade a preferencial e atinge violentamente a motocicleta pilotada por Alex Batista Pereira, que trabalhava como entregador e também atuava como pastor e radialista da igreja Deus é Amor. Vídeos divulgados posteriormente mostram ainda que o carro trafegava na contramão momentos antes da colisão.
Com a força do impacto, Alex sofreu ferimentos gravíssimos e entrou em parada cardiorrespiratória. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Corpo de Bombeiros realizaram manobras de reanimação por vários minutos, mas ele não resistiu e morreu ainda no local. Após os trabalhos da perícia, o corpo foi recolhido ao Instituto Médico Legal (IML) de Maringá.
Fuga após o acidente e protesto de motoboys
Após a colisão, Márcio deixou o local sem prestar socorro, segundo a versão apresentada pela polícia e pela acusação. Revoltados com a morte do colega, motoboys iniciaram buscas pelo suspeito e localizaram o endereço onde ele estaria escondido. Pouco tempo depois, dezenas de motociclistas se reuniram em frente à residência do empresário em um protesto.
Durante a manifestação, pedras foram arremessadas contra o imóvel. Em meio à confusão, o empresário apareceu armado em uma janela da residência e efetuou disparos com uma pistola calibre .380 em direção aos presentes, incluindo motoboys, populares e profissionais da imprensa que faziam a cobertura do caso.
Um dos tiros atingiu um veículo da equipe da Rede Massa Maringá. Apesar da gravidade da situação, ninguém ficou ferido. A Polícia Militar foi acionada e realizou a prisão em flagrante do empresário. A arma foi apreendida e, segundo a polícia, foi constatado termo de embriaguez ao volante.
O que diz a defesa do empresário
Os advogados de Márcio Fantin Marcelino afirmaram à imprensa que o empresário está “extremamente abalado” e defenderam que ele não fugiu do local do acidente. Segundo a defesa, ele teria permanecido aproximadamente sete minutos no local após a colisão e deixado a cena apenas após ser orientado por moradores diante do clima de tensão provocado pela chegada de motociclistas.
Os advogados também alegam que o acidente ocorreu em uma noite “escura, de muita chuva e com iluminação precária”, versão que é contestada pela acusação e por imagens de câmeras de segurança já divulgadas. Sobre os disparos, a defesa afirma que os tiros foram efetuados como forma de advertência diante da suposta tentativa de invasão da residência e argumenta que o empresário possui registro regular da arma.
A defesa também informou que pretende buscar a liberdade provisória do investigado e sustenta que ele pode responder ao processo fora da prisão.
Família da vítima cobra punição e cita novas possíveis vítimas
A advogada da família de Alex Batista, Josiane Monteiro, afirmou que os próximos passos serão acompanhar o inquérito policial, a oitiva das testemunhas e pedir que outras possíveis vítimas formalizem denúncias.
Segundo ela, já existe um boletim de ocorrência de uma pessoa que teria sido atropelada por Márcio antes do acidente fatal com Alex. Além disso, a advogada destacou que outras pessoas também podem ser consideradas vítimas de tentativa de homicídio em razão dos disparos efetuados em frente à residência do empresário.
“Ele não pode ficar impune. O Alex não vai voltar, infelizmente, mas esperamos que ele realmente pague por tudo o que fez”, afirmou a advogada. A defesa da família também questiona a versão apresentada pelo motorista sobre as condições climáticas e visibilidade no momento do acidente, apontando que imagens mostram boa condição de visão e a invasão da preferencial.
Empresário segue preso após audiência de custódia
Márcio Fantin Marcelino passou por audiência de custódia no início da tarde desta segunda-feira (18). A Justiça decidiu converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, mantendo o empresário detido enquanto as investigações continuam.
O caso deve seguir sob investigação da Polícia Civil de Maringá, que ainda definirá se a apuração permanecerá com a Delegacia de Trânsito ou será conduzida pela Delegacia de Homicídios, diante da gravidade dos fatos e das circunstâncias do crime
