Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

04 de abril de 2026

Poucos maringaenses serão representados na Câmara; ENTENDA


Por Tiago Valenciano Publicado 25/11/2020 às 13h56 Atualizado 19/10/2022 às 10h19
Ouvir: 00:00
Tiago Valenciano na coluna “O Assunto é Política” nesta quarta-feira

Na coluna “O Assunto é Política” desta quarta-feira, 25, o cientista político Tiago Valenciano debateu sobre a representatividade na Câmara de Vereadores de Maringá. São 15 parlamentares e dos que foram eleitos para a próxima gestão, apenas 41 mil votos dos maringaenses os elegeram. Maringá tem 279 mil eleitores e foram registrados 174 mil votos válidos nas eleições municipais de 2020.

“Dos 174 mil votos válidos, 41 mil foram ou serão representados no dia 1º de janeiro. Dos 279 mil eleitores, esse número chega a 14% do eleitorado de Maringá representado na Câmara e se a gente tirar os eleitores e ficar somente com aqueles que compareceram às urnas, esse número chega a 23%. De cada 10 maringaenses eleitores, um está sendo representado na Câmara ou, no máximo, dois”, avalia Valenciano.

“Então, essa era uma discussão que a gente fez no dia das eleições, na cobertura das apurações na CBN Maringá, é uma discussão que passa muito na relação entre representantes e representados, que é um dilema clássico da democracia. Até que ponto a democracia consegue ser, lá ao estilo de Tocqueville, a tirania da maioria ou a tirania da minoria? Ou até que ponto a democracia consegue, de fato, representar as pessoas dentro do parlamento?”, questiona o cientista político.

“A ideia é mostrar que o parlamento é uma mistura de propostas, de bandeiras, de ideias, de posicionamentos políticos. E, nesse sentido, quanto mais representantes você tem, mais a parcela da população está sendo representada. Com 23 vereadores, ou 21, Maringá teria mais gente representada no parlamento e mais ideias representadas. Com 15, nós temos 15%. Quer dizer, de todo mundo que foi votar no domingo retrasado [15 de novembro], a maioria é gente que não está sendo representada na Câmara. E essa sensação fica muito aparente durante a campanha eleitoral, quando os candidatos a vereador oposicionistas, ou seja, todos aqueles que não estão na Câmara, começam a falar justamente o seguinte: ‘você lembra do seu vereador? Você se sente representado por ele? Ele apareceu aqui no seu bairro? Você já viu seu vereador aqui alguma vez?’”, aponta Valenciano.

LEIA TAMBÉM – Valenciano comenta retorno das mulheres à Câmara de Vereadores de Maringá

“De fato, por um lado, pode ser uma mea-culpa dos atuais parlamentares, que deixaram de visitar suas bases eleitorais, que deixaram de conversar com a população e tudo mais. Só que, por outro lado, é praticamente impossível você encontrar alguém que votou no seu represente e acompanha o trabalho dele, é mais difícil ainda. Então, são problemas clássicos da democracia e eu trago a reflexão, para ver justamente que o problema não é, necessariamente, que o vereador sumiu ou de que você não se sente representado, mas, no atual sistema democrático é assim. Se nós pararmos para pensar, tem muito deputado federal no Brasil, são 513, mas são 513 pessoas que representam mais de 200 milhões de habitantes no Brasil, é muito pouco”, complementa.

“Quando a gente olha lá no parlamento da Dinamarca que tem 150 representantes, são 150 representes para uma para uma população muito menor que a do Brasil. Então, vejam que essa diferença está muito gritante em relação ao número de vereadores em Maringá. E, por isso, a cada dia que passa, a cada eleição que passa, nós vemos que essa relação entre representantes e representados fica mais desgastada e o político fica ainda mais distante da população”, finaliza.

Assista à coluna completa:

Ouça na CBN Maringá.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação
Tiago Valenciano

Cientista político, doutor em Sociologia e escritor.