Desigualdade de renda por gêneros, cores e escolaridades: uma análise comparativa entre 2012 e 2023

O presente artigo busca analisar a evolução das desigualdades de renda do brasileiro por gêneros, cores e escolaridades. Para tal, utiliza-se os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do IBGE, obtidos pelo software estatístico Stata 13, considerando o primeiro trimestre de 2012 em comparação com o primeiro trimestre de 2023.
Segundo apontam Bruschini e Lombardi (2014), no Brasil, a participação feminina no mundo laboral tem aumentando de forma significativa e constante desde a década de 1970, quando apenas 18% das mulheres trabalhavam. Todavia, de acordo com Saldanha (2013), em que pese a participação feminina no mundo do trabalho ter apresentado muitos avanços nas últimas décadas, vislumbra-se ainda um forte desequilíbrio entre homens e mulheres no que diz respeito à inserção produtiva, e discriminação na ascensão profissional e renda, conforme evidências empíricas que serão demonstradas neste trabalho.
Os dados da PNADC revelam também que parcela significativa da população preta e parda está inserida normalmente em ocupações de maior vulnerabilidade social, com rendimentos menores, evidenciando diferenças de renda e ratificando que pretos e pardos brasileiros, representam aproximadamente o dobro da proporção de brancos na linha da pobreza.
Num contexto geral, de 2012 para 2023, considerando o salário mínimo da época (Figura 1), constata-se um aumento na participação proporcional até um salário mínimo, possivelmente pelos efeitos da pandemia da Covid-19, que impactou profundamente o mercado de trabalho no período recente, afetando principalmente, trabalhadores com menor proteção social e baixa escolaridade.
Figura 1. Salário Mínimo (SM) do Brasil, 2012 e 2023, em reais

Na análise por cor ou raça, entre 2012 e 2023, a renda média dos brancos, pretos e pardos aumentaram acima de 100% (Figura 2). Em 2023, o rendimento médio de todos os trabalhos das pessoas pretas (R$ 2.400) e pardas (R$ 2.407) foi cerca de 41% menor do que o das pessoas brancas (R$ 4.406).
Figura 2. Renda média do brasileiro por cor, 2012 e 2023, em reais

Apesar de as mulheres representarem mais da metade da população em idade de trabalhar, percebe-se a desigualdade de renda em relação aos homens, para todos os níveis de escolaridade. A seguir apresenta-se as disparidades, considerando-se os extremos, ou seja, as pessoas sem instrução e as pessoas com doutorado.
Em 2012, as mulheres sem instrução recebiam rendimentos médios 30% abaixo dos rendimentos médios recebidos pelos homens. Em 2023, essa diferença caiu para 27% (Figura 3).
Figura 3. Renda média do brasileiro sem instrução, 2012 e 2023, em reais

No que se refere ao nível de instrução doutorado (Figura 4), em 2012, os números mostram que as mulheres possuíam renda média 44% menor que a renda média dos homens. Em 2023, a diferença foi de 30%. Esses dados mostram que a desigualdade de renda por gênero, nos últimos 10 anos, reduziu-se, no entanto, ainda é muito acentuada.
Figura 4. Renda média do brasileiro com doutorado, 2012 e 2023, em reais

A desigualdade de renda por gêneros, cores e escolaridades, certamente é um dos desafios mais complexos e desconcertantes não apenas para o Brasil, mas para a economia mundial. Nesse sentido, é sempre necessário a busca constante por reformas estruturais, implementação de políticas públicas e sociais efetivas de combate à desigualdade, como programas de capacitação e inclusão.
Referências
- BRUSCHINI, M. C. A.; LOMBARDI, M. R. Mulheres, trabalho e família. Difusão
de Ideias. Disponível em: . Acesso em: 06 jul. 2023. - IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html. Acesso em: 06 jul. 2023.
- SALDANHA, R. C. Desigualdade de gênero no mercado de trabalho da sociedade da
Informação. Disponível em: . Acesso em: 06 jul. 2023. - Sidinei Silvério da Silva é economista formado pela UEM, delegado do Conselho Regional de Economia do Paraná (CORECON-PR), Analista de Investimentos CNPI-T certificado pela APIMEC e Coordenador Técnico do Escritório de Projetos e Processos da UEM.
