A carreira começa na formatura ou no primeiro dia de trabalho?
Recentemente participei de uma conversa com universitários e uma pergunta me chamou atenção:
“Vale a pena focar apenas nos estudos e deixar para trabalhar depois da faculdade?”
A resposta parece simples, mas os dados mostram uma realidade que surpreende muita gente.

Durante décadas fomos ensinados que o caminho natural para o sucesso profissional era estudar, concluir a graduação e só então ingressar no mercado de trabalho. O diploma era visto como a linha de chegada. Hoje, ele continua importante, mas deixou de ser suficiente.
Na prática, o mercado está dizendo outra coisa: a carreira não começa na formatura.
Ela começa muito antes.
Uma pesquisa divulgada pela ZipRecruiter em 2026 concluiu que trabalhar em qualquer capacidade durante a graduação é o fator isolado que mais influencia a empregabilidade após a conclusão do curso. Os números impressionam. Entre os recém-formados que possuíam alguma experiência profissional, estágio, emprego formal, trabalho parcial, aprendizagem ou até atividades autônomas, 81,6% estavam empregados após a graduação. Entre aqueles que concluíram a faculdade sem qualquer experiência, esse número caiu para apenas 40,7%. (ZipRecruiter Economic Research)
Mais do que isso: estudantes que trabalharam durante a formação tiveram quase o dobro de chances de conquistar uma vaga antes mesmo de receber o diploma. (ZipRecruiter Economic Research)
Isso ajuda a explicar um fenômeno que muitos empresários observam diariamente.
Dois jovens concluem exatamente o mesmo curso, na mesma instituição, no mesmo dia. Ambos recebem o mesmo diploma.
Mas um deles chega ao mercado com quatro anos de experiência prática acumulada. O outro está tendo seu primeiro contato profissional.
Embora ambos sejam recém-formados, apenas um deles é realmente iniciante.
O mercado percebe essa diferença.
Um estudo publicado na revista científica Higher Education identificou que estudantes que participaram de experiências práticas durante a graduação apresentaram vantagens significativas em empregabilidade e inserção profissional quando comparados aos colegas sem experiência. (Springer Nature)
Outra pesquisa acompanhando milhares de estudantes concluiu que aqueles que trabalharam durante a faculdade apresentaram rendimentos superiores após a conclusão do curso quando comparados a alunos com perfil semelhante que nunca tiveram experiência profissional. (PMC)
Mas por que isso acontece?
Porque as empresas não contratam apenas conhecimento técnico.
Elas contratam capacidade de gerar resultado.
E essa capacidade é construída em situações reais.
É no estágio que alguém aprende a lidar com pressão.
É no primeiro emprego que aprende a trabalhar em equipe.
É no contato com clientes que aprende comunicação.
É na convivência com líderes que aprende responsabilidade.
É nos erros do dia a dia que desenvolve maturidade profissional.
Nenhuma sala de aula consegue reproduzir completamente essas experiências.
Isso não significa diminuir a importância da universidade. Muito pelo contrário.
Os próprios dados mostram que o diploma continua sendo um diferencial relevante.
Pessoas com ensino superior apresentam maiores índices de empregabilidade, menores taxas de desemprego e rendimentos superiores ao longo da vida profissional. (Universidades do Reino Unido)
O erro está em enxergar formação e experiência como caminhos separados.
As organizações mais inovadoras do mundo estão fazendo exatamente o contrário. Elas buscam estudantes cada vez mais cedo, investem em programas de estágio, aprendizagem e desenvolvimento porque compreenderam uma verdade simples: o profissional do futuro precisa aprender teoria e prática ao mesmo tempo.
Essa mudança também explica por que os estágios ganharam tanta relevância nos últimos anos.
Pesquisas internacionais demonstram que experiências práticas durante a graduação aumentam a empregabilidade, fortalecem a confiança profissional e contribuem para salários iniciais mais elevados após a conclusão dos estudos. (Strada)
Talvez por isso os especialistas estejam mudando a pergunta.
Em vez de perguntar “quando devo começar minha carreira?”, a discussão passou a ser “como posso começar minha carreira enquanto ainda estou aprendendo?”
Porque a realidade do mercado atual é clara.
O diploma continua abrindo portas.
Mas é a experiência que faz as portas permanecerem abertas.
E quanto mais cedo alguém consegue transformar conhecimento em prática, maiores tendem a ser suas oportunidades de crescimento.
No fim das contas, a carreira não começa quando a faculdade termina.
Ela começa no momento em que o aprendizado encontra a realidade.
E quem entende isso cedo costuma chegar mais longe.
