Representatividade feminina avança na política, mas ainda pede licença para entrar
A presença feminina na política brasileira ainda parece aquele clássico discurso que todo mundo apoia até chegar a hora de dividir espaço de verdade. No papel, o Brasil avançou com cotas e incentivos à participação de mulheres nas eleições. Na prática, o cenário segue desigual: mulheres são mais da metade da população, mas continuam sub-representadas nos cargos de poder. No Paraná, a situação não foge muito desse roteiro nacional.

Hoje, a mulher está mais presente na política, sim; mas ainda precisa provar duas vezes mais para ocupar metade do espaço. Seja em câmaras municipais, assembleias ou no Congresso, a presença feminina cresceu, mas ainda enfrenta resistência estrutural, partidária e cultural. É como se a política aceitasse mulheres… desde que não incomodem demais.
No Paraná, nomes femininos ganharam relevância e ajudaram a abrir caminho. Um dos exemplos mais fortes é Cida Borghetti, que chegou ao governo do Estado e construiu uma trajetória respeitada. Seu legado ainda é lembrado como uma das principais referências femininas na política paranaense recente. A pergunta que ronda os bastidores é inevitável: ela voltaria a disputar o governo? Hoje, não há sinal claro de candidatura, mas também ninguém descarta completamente, afinal, política, adora um “retorno estratégico”.
Outro nome de peso é Gleisi Hoffmann. Figura nacional, deputada federal é presença constante no debate político, Gleisi divide opiniões e não é pouco. No Paraná, sua taxa de aceitação costuma vir acompanhada de uma rejeição igualmente alta, refletindo a polarização política do estado e do país. Para uns, é uma liderança firme e articulada; para outros, símbolo de um projeto político rejeitado. Em resumo: dificilmente passa despercebida, o que convenhamos, já diz muito.
Já no campo mais recente, aparece Cristina Graeml, que ganhou projeção e entrou no radar político estadual. Hoje filiada ao grupo político ligado ao governador Ratinho Júnior, ela vive um momento curioso: está no jogo, mas ainda sem jogada definida. O partido, por enquanto, mantém uma postura cautelosa, ou, para os mais críticos, uma espécie de “deixa ela ali quietinha por enquanto”. Não há definição clara sobre seu papel em 2026, o que alimenta especulações e, claro, aquele silêncio estratégico típico da política.
Nos bastidores, as falas variam: há quem veja Cristina como uma aposta nova, com potencial de representar uma renovação feminina; outros dizem que ainda falta musculatura política. E o partido? Segue administrando o tempo porque, em política, às vezes não se posicionar também é uma estratégia.
No fim das contas, o debate sobre a representatividade feminina vai além dos nomes. Trata-se de abrir espaço real não só simbólico para que mulheres participem, liderem e disputem em igualdade.
O Paraná tem exemplos importantes, o Brasil também, mas ainda caminha devagar para equilibrar esse jogo.
Porque, no ritmo atual, a política brasileira até aceita mais mulheres… desde que elas tenham paciência. E muita.
