Colunistas: Decreto municipal para combater a covid acordou a oposição

Na coluna “O Assunto é Política” desta sexta-feira, 4, o cientista político Tiago Valenciano e o professor e historiador Reginaldo Dias analisam o clima tenso com as medidas do poder municipal para conter o novo coronavírus. Para Dias, o prefeito está agindo em um ambiente em que as ações desagradam, mas é campo fértil para críticas. Valenciano fala dos excessos das medidas e ações assertivas que colocam a prefeitura no centro das críticas das medidas restritivas para conter a pandemia.
“Na verdade o tema coronavírus é quase que um tema impossível de você agradar todo mundo, não tem como você agradar ‘gregos’ e ‘gregos’ nesse caso, porque é uma disputa ‘grega’ que estamos nos envolvendo. É muito difícil a gente conseguir agradar todos esses ‘gregos’ porque, de fato, o coronavírus a gente não tem nenhuma medida totalmente acertava em qualquer lugar do planeta, como você também não tem uma capacidade de mostrar que tudo que foi feito pela prefeitura até agora foi errado, são dois pesos e duas medidas distintas”, avalia Valenciano.
“O que eu acho que tem deixado as pessoas mais indignadas é a falta de lógica e coerência nas medidas tomadas pela prefeitura, porque você proíbe, por exemplo, o supermercado de comercializar uma bebida alcoólica depois das 17h, aí você tem que fechar só a gôndola, e o restante todo está aberto. Então, não tem lógica. É a mesma medida que foi tomada um pouco antes da eleição de você permitir a abertura de pet shops no final de semana, mas você não pode vender bolinha pro cachorro, você só pode vender ração. Então, quer dizer, pro cachorro a ração é essencial, mas a bolinha não. A grande questão que eu vejo, e as críticas partem desse sentido, é a falta de lógica e coerência nas medidas tomadas pela prefeitura. A crítica que as pessoas têm feito, no fundo, é essa. E, por outro lado, as críticas com um pouco menos de razão, pelo menos eu enxergo assim, é essa de que eu vou olhar para o meu semento e o resto que se dane, eu vou olhar para abrir o meu lado e todo mundo que feche. Isso é um pouco de crítica olhando para seu próprio umbigo, a maneira que o brasileiro faz a política, eu olho para mim e o importante é salvar o meu lado e a sociedade que fique totalmente perdida”, pontua o cientista político.
“A gente já aprendeu no coronavírus que cada um tem que fazer sua parte. A gente vive socialmente falando, é a tal da solidariedade orgânica, do Durkheim. É importante a gente enxergar que as pessoas vivem num complexo social e nós dependemos um dos outros para viver, portanto é bom olhar sempre as medidas restritivas com certa desconfiança, mas sempre entendendo o lado do gestor, afirma Valenciano.
“Normalmente quando acaba uma eleição, quem se elege tem um período de trégua até tomar posse e até uma trégua no início do mandato. A reeleição introduz um fato novo, o novo prefeito é o velho prefeito, então essa trégua normalmente não existe. E, motivada pelos assuntos conjunturais, então temos um clima quente na política municipal. Provavelmente, a oposição está fazendo mea-culpa de não ter feito oposição nos três anos anteriores e concluiu que o tempo de eleição é muito curto para você promover um desgaste naquele que é candidato a reeleição”, opina Dias.
