Dias e Valenciano discutem liderança e representação na Câmara de Maringá

Na coluna “O Assunto é Política” desta sexta-feira, 27, o cientista político Tiago Valenciano e o professor e historiador Reginaldo Dias falaram sobre a liderança na Câmara Municipal de Maringá. Para os próximos quatro anos, foram eleitos 15 vereadores e o debate sobre representatividade e quem será o presidente da Câmara está no foco.
Dias comenta que escreveu dois livros sobre a história da Câmara, o primeiro, escrito na década de 1990, tinha como questão entender os motivos dos líderes serem novatos na abertura da legislatura. “Acontecia que os que entravam formavam maioria na Câmara, então eles se juntavam e um deles se tornava presidente, essa foi a regra até 2000. De 2004 para frente, mudou o parâmetro. Normalmente é um vereador reeleito e […] quase sempre preside por quatro anos. Eu não sei se isso é bom ou é ruim em si mesmo, não existe uma fórmula. Mas, o fato é que inibe a formação de lideranças e uma certa rotatividade do poder”, avalia.
“Como nós temos uma maioria dos vereadores, agora, ou reeleitos ou com passagem pela Câmara, então não será surpreendente se o presidente for governador reeleito, porque eles compõem a maioria e os que entram agora vão ter que esperar a vez para poder aspirar a posições de mando na Câmara”, explica o historiador.
“A presidência tem muito poder, a mesa diretora tem muito poder na Câmara. Então, ela organiza pauta, organiza uma série de ações ali e, talvez, o revezamento fosse algo desejável para formar novas lideranças. Nada contra os que exercem a presidência com experiência porque têm algo a oferecem, mas esse é um outro aspecto que precisa ser avaliado na formação de lideranças política na cidade”, aponta Dias.
Valenciano afirma que depois dos anos 2000, dois nomes se destacam na presidência da Câmara: John Alves Correa e Mário Hossokawa. “Dos últimos dez anos para cá, nós tivemos uma presidência do Hossokawa que organizou a casa internamente, depois nós passamos para a presidência do Ulisses, que é o atual prefeito, que fez muitas ações mais voltadas à comunidade, como o resgate daquelas sessões itinerantes, que ele mesmo havia criado lá na presidência passada. Depois, nós tivemos uma presidência uma pouco mais estável com relação a esses contatos públicos com o Chico Caiana que, inclusive, representava a liderança do próprio Pupin na presidência da Câmara. E, agora, o Mário Hossokawa que apesar de estar num grupo mais destacado em relação ao atual prefeito, ainda tem levado as discussões mais podenderadas”, elenca.
“Então, você veja, a alternância passou muito por um vereador que destoou, que foi o Ulisses que tentou buscar uma espécie de independência em relação ao legislativo e bateu muito nesse discurso, e um vereador mais voltado em relação ao prefeito municipal do período e outro vereador um pouco mais independente, ora indo com prefeito, ora não. Então tem mudado um pouco mais o perfil do estilo de liderança dos trabalhos da casa nos últimos anos, explica o cientista político.
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