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23 de junho de 2026

Ibovespa tenta defender os 170 mil pontos, apesar de incertezas após ata e NY negativa


Por Agência Estado Publicado 23/06/2026 às 11h46
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O Ibovespa abriu estável aos 170.367,40 pontos nesta terça-feira, 23, e logo foi para o campo negativo, em meio à divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e às incertezas no exterior com o setor de tecnologia. Por lá, investidores digerem falas de autoridades do Irã e dos Estados Unidos sobre as negociações de paz e monitoram a indicação de liquidação de ações de tecnologia. No entanto, há instantes, o Índice Bovespa tentava defender alta e o nível de 170 mil pontos.

No Brasil, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da reunião de junho, na semana passada, tenta esclarecer dúvidas deixadas no comunicado, quando a Selic foi reduzida de 0,25 ponto porcentual para 14,25% ao ano.

A ata diz que o “BC julgou como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos, com efeitos potencialmente contraproducentes à própria convergência da inflação à meta.”

Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, imaginava que na ata o Banco Central faria esforço adicional para esclarecer alguns pontos, mas ficou devendo, segundo ele. “Piorou o humor do mercado assim que foi divulgada. Veio confusa”, afirma. Conforme ele, o colegiado do BC, na ata, não conseguiu explicar como fez algo heterodoxo, ao mudar, no comunicado na semana passada, o horizonte relevante do terceiro trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Esse ausência, diz, eleva a desconfiança dos agentes com o Banco Central.

Segundo o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, a ata jogou mais luz na argumentação do comunicado. Ainda assim o economista diz em relatório que classifica a argumentação como bem frágil, mesmo que avalie que isso deverá acalmar parte dos agentes.

“Nossa avaliação é de que a ata desenhou uma conjuntura bem hawkish, inclusive com a classificação do balanço de riscos com assimetria altista, o que por algum motivo foi ocultado no comunicado da última quarta-feira”, diz Sanchez.

Conforme a Ativa, a reversão dovish fica no 21º parágrafo, em que o BC coloca à mesa incertezas relevantes, classificadas no parágrafo seguinte como “em níveis historicamente elevados”.

Hoje a agenda de indicadores é esvaziada, enquanto no exterior o foco são índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). Em Nova York e na Europa, as bolsas recuam – movimento visto também no mercado acionário da Ásia.

“O desempenho das bolsas lá fora não ajuda nem um pouco o Brasil. O setor de tecnologia puxa as ações para baixo. Há dúvidas sobre os retornos que estão sendo feitos. Adicionalmente, há frustração com dados da China, indicando desaceleração econômica”, diz Bruno Takeo, analista da S4 Consultoria. Além disso, a ata do Copom não esclarece os principais pontos de dúvidas do comunicado da semana passada, completa.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,21%, aos 170.370,38 pontos.

Às 11h37 desta terça, o Índice Bovespa subia 0,19%, aos 170.693,70 pontos, após cair 1,10%, para a mínima de 168.495,17 pontos.

O petróleo cedia 1%, mas as ações da Petrobras viravam para o positivo. O minério de ferro caiu 0,54% hoje, em Dalian. Vale perdia 2,29%.

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