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08 de junho de 2026

Taxas de juros sobem com piora na percepção sobre Oriente Médio e nas apostas para Selic


Por Agência Estado Publicado 08/06/2026 às 18h38
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Os juros futuros fecharam em alta firme nesta segunda-feira, 8.
Pela manhã, as taxas caíram em movimento visto como um ajuste técnico após a disparada na sexta-feira, viabilizado pelo anúncio de suspensão dos ataques do Irã a Israel e na contramão da alta do dólar e do petróleo. À tarde, a percepção sobre o conflito no Oriente Médio voltou a piorar, esvaziando a correção dos excessos. As taxas passaram a subir com força, em meio ainda à continuidade da reprecificação das apostas para a Selic, com a curva já apontando chance de alta para o segundo semestre.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que captura a sensibilidade do mercado para as reuniões do Copom em 2026, subiu a 14,515%, de 14,295% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2029 encerrou taxa de 14,94%, ante 14,82% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2028 projetava taxa de 14,89%, de 14,37%. A taxa do DI para janeiro de 2031 avançou de 14,44% para 14,82%.

Os mercados voltaram do fim de semana sob o impacto dos ataques mútuos entre Israel e Irã, mas pouco antes da abertura na B3 o anúncio da suspensão das operações militares iranianas abriu espaço para correção de parte do expressivo avanço da sessão anterior, quando dados forte do payroll nos EUA espalharam a aversão ao risco. As taxas passaram a cair, mesmo com o câmbio pressionado e piora das estimativas de inflação e Selic na pesquisa Focus.

“O comportamento das taxas pela manhã foi nada mais do que uma devolução da grande amplitude do movimento da sexta-feira. Um ajuste que durou pouco”, avaliou a economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, para quem o clima de incerteza no exterior e o ceticismo com a política monetária tornam a trajetória de alta das taxas futuras a “tendência natural”.

Para Rodrigo Franchini, especialista de Soluções de Investimentos na Monte Bravo, as taxas estavam bem comportadas após o anúncio do Irã, mas começaram a surgir no começo da tarde informações que esfriaram a ideia de cessar-fogo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse estar suspendendo os ataques ao Irã por enquanto, mas reforçou que o Irã e o Hezbollah estão “mais fracos do que nunca” e que a guerra não acabou. Ainda, o governo iraniano teria suspendido as operações nos principais aeroportos de Teerã em meio à intensificação do confronto com Israel.

“Esse rumor trouxe mais volatilidade. Porque poderia ser interpretado como uma busca de Israel para influenciar as negociações de paz, desafiando os Estados Unidos no cessar fogo. Como ainda não foi confirmado, o mercado tira o pé de risco”, explicou Franchini.

As taxas subiram principalmente nos vértices mais curtos, como por exemplo o DI para janeiro de 2028, que abriu mais de 20 pontos-base. Segundo o economista-chefe do BMG, Flávio Serrano, a curva aponta Selic terminal de 14,80% em 2026. A chance de manutenção da taxa em junho já está em 70%, contra 30% de redução de 25 pontos-base. Os DIs mostram ainda aperto a partir de setembro até março, chegando a 15,10%.

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