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10 de junho de 2026

Essa doença silenciosa atinge 44% dos brasileiros e pode levar ao câncer; conheça


Por Redação GMC Online Publicado 10/06/2026 às 14h40
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Team of doctors taking pregnant woman to operation theatre in the hospital
Foto: Freepik

A gordura no fígado, condição conhecida pelos médicos como doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD), tornou-se uma das principais preocupações da hepatologia mundial. Considerada uma epidemia silenciosa, a doença afeta aproximadamente 30% da população mundial e já alcança cerca de 44% dos brasileiros. O problema é que, na maioria dos casos, ela não provoca sintomas e pode permanecer anos sem diagnóstico.

O alerta ganha ainda mais importância em 11 de junho, o Dia Mundial da Esteatose Hepática (#MASHDay), uma mobilização internacional voltada à conscientização sobre a doença. Especialistas destacam que o aumento da obesidade, do diabetes tipo 2 e do sedentarismo tem impulsionado o crescimento dos casos em todo o mundo.

Segundo a médica hepatologista Claudia Ivantes, diretora e orientadora da Associação Paranaense de Hepatologia, muitas pessoas descobrem a doença por acaso, durante exames realizados por outros motivos.

“Um dos maiores desafios é justamente o fato de a gordura no fígado ser silenciosa. Muitas vezes o paciente não sente absolutamente nada e acredita estar saudável. Quando o diagnóstico acontece apenas em fases mais avançadas, já podemos encontrar inflamação, fibrose e até comprometimento importante do fígado”, explica.

Causas da gordura no fígado

A MASLD está diretamente relacionada às alterações metabólicas e possui fatores de risco bem conhecidos. Entre eles estão sobrepeso e obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol elevado, triglicerídeos altos, alimentação rica em ultraprocessados e falta de atividade física.

Embora a presença de gordura no fígado possa parecer uma condição simples, ela pode evoluir para quadros mais graves. Em alguns pacientes, a doença progride para a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), estágio caracterizado pela inflamação e lesões no fígado. A partir daí, aumenta o risco de desenvolvimento de fibrose, cirrose e até câncer hepático.

Doença acompanha a epidemia de obesidade
O crescimento da MASLD acompanha uma transformação observada em diversos países: o aumento das doenças metabólicas. Atualmente, especialistas estimam que mais de um terço da população adulta mundial apresente algum grau de acúmulo de gordura no fígado.

Para a médica hepatologista Daphne Morsoletto, presidente da Associação Paranaense de Hepatologia, a população ainda desconhece a dimensão do problema.

“Além do consumo de álcool, hoje observamos um número crescente de pacientes que desenvolvem gordura no fígado em decorrência da obesidade, do diabetes e da síndrome metabólica. Estamos diante de uma condição extremamente frequente e que merece a mesma atenção dada a outras doenças crônicas”, afirma.

Estudos também demonstram que pessoas com diabetes tipo 2 apresentam risco significativamente maior de desenvolver a doença. Em alguns grupos, mais de dois terços dos pacientes diabéticos apresentam gordura no fígado, reforçando a necessidade de acompanhamento médico regular.

Diagnóstico precoce pode evitar complicações

Os especialistas ressaltam que a boa notícia é que a doença pode ser controlada e, em muitos casos, revertida quando identificada precocemente. Mudanças no estilo de vida, perda de peso, prática regular de atividade física e controle adequado de doenças metabólicas estão entre as principais estratégias recomendadas.

“O diagnóstico precoce é fundamental porque permite interromper a progressão da doença antes que ocorram danos irreversíveis ao fígado. Pessoas com fatores de risco, especialmente obesidade, diabetes e alterações do colesterol, devem conversar com seu médico sobre a necessidade de investigação”, orienta Dra. Claudia.

Neste Dia Mundial da Esteatose Hepática, os médicos hepatologistas levam uma mensagem clara: a gordura no fígado é comum, muitas vezes silenciosa, mas não deve ser encarada como inofensiva. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de evitar complicações graves e preservar a saúde do fígado.

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