‘Achei que ele iria me matar’: Ex-namorada de pai de santo de Maringá denuncia agressões e cárcere privado; defesa nega acusações

Um caso envolvendo denúncias de agressão, cárcere privado e supostos crimes sexuais contra um líder religioso de Maringá está sendo investigado pela Polícia Civil. A ex-namorada de Wilker Novaes acusa o pai de santo de agressões físicas, violência psicológica, violência patrimonial e manipulação financeira durante o relacionamento.
- Acompanhe o GMC Online no Instagram
- Clique aqui e receba as nossas notícias pelo WhatsApp
- Entre no canal do GMC Online no Instagram
Em entrevista ao GMC Online, a denunciante, Rayanne Braz, detalhou episódios de violência que, segundo ela, ocorreram ao longo de aproximadamente um ano de relacionamento. A defesa de Wilker nega as acusações e afirma que o caso ainda está em fase de investigação, sem condenação judicial. Segundo a Polícia Civil, atualmente há três inquéritos instaurados envolvendo o mesmo investigado.
“Achei que ele iria me matar”, diz denunciante
Rayanne afirma que conheceu Wilker inicialmente por meio da religião e que o relacionamento evoluiu rapidamente para um namoro. Segundo ela, os primeiros sinais de manipulação teriam surgido ainda nos meses iniciais da relação. De acordo com a denunciante, a violência começou de forma psicológica e financeira antes de evoluir para agressões físicas.
“Começou com manipulação psicológica e financeira. Depois vieram as agressões físicas”, relatou ao GMC Online.
Segundo Rayanne, o então companheiro passou a pedir ajuda financeira alegando dificuldades para pagar despesas pessoais e do terreiro, incluindo aluguel, contas de água e energia, cartões de crédito e pensão alimentícia. Ela afirma que, inicialmente, acreditava estar apenas ajudando alguém com quem mantinha uma relação afetiva. Com o passar do tempo, porém, diz ter percebido que a situação envolvia, segundo sua versão, manipulação emocional.
Denúncia inclui agressões físicas e cárcere privado
A denunciante relata que as agressões físicas teriam ocorrido principalmente quando tentava encerrar discussões ou deixar o local onde estava com o companheiro. Segundo Rayanne, em diversas ocasiões ela teria sido impedida de sair, com retenção de celular, chaves e pertences.
Ela afirma ainda que sofreu puxões de cabelo, apertões nos braços, agressões na cabeça e episódios de sufocamento. Em um dos relatos mais graves feitos ao GMC Online, a jovem disse ter temido pela própria vida.
“Naquele momento, eu achei que ia morrer. Se eu perdoasse novamente, ele poderia me matar.”
Rayanne também declarou que registrou um boletim de ocorrência em novembro de 2025, após um episódio de agressão. Segundo ela, apesar de ter realizado exame de corpo de delito, o laudo apontou lesão corporal leve. Ainda conforme a denunciante, após as agressões, ela era frequentemente convencida a permanecer no relacionamento por meio de pedidos de desculpas, promessas de mudança e apelos emocionais.

Outras supostas vítimas teriam procurado a denunciante
Após tornar o caso público, Rayanne afirma ter sido procurada por outras mulheres com relatos semelhantes. Segundo ela, algumas dessas mulheres relataram supostos episódios de abuso, assédio e manipulação.

A denunciante também acusa Wilker de utilizar sua posição como líder religioso para se aproximar emocionalmente de frequentadoras do terreiro. As alegações relacionadas a outras possíveis vítimas também passaram a ser objeto de investigação policial.
Defesa nega acusações e fala em exposição pública
A advogada de defesa de Wilker, Jacheline Batista, afirmou ao GMC Online que seu cliente contesta as acusações e sustenta que também registrou boletim de ocorrência contra Rayanne. Segundo a defensora, em novembro de 2025, ambos teriam registrado ocorrências após um desentendimento.
De acordo com a advogada, Wilker alega ter sido vítima de agressões, ameaças e danos materiais. A defesa também contesta a narrativa sobre violência patrimonial. Em relação aos celulares mencionados pela denunciante, Jacheline afirma que os aparelhos teriam sido danificados durante discussões e que, posteriormente, Wilker teria arcado com o conserto.
Sobre as transferências financeiras citadas pela ex-companheira, a defesa sustenta que os valores estariam ligados a despesas compartilhadas do relacionamento e também a serviços religiosos prestados antes do namoro. A advogada ainda afirmou que o caso ganhou grande repercussão pública antes da conclusão das investigações.
“Até este momento, ele está sendo acusado. Na sociedade, ele já foi acusado e julgado sem o devido processo legal, contraditório ou ampla defesa.”
Segundo a defesa, Wilker tem recebido ameaças por redes sociais e precisou deixar o imóvel onde funcionava o terreiro.
Polícia Civil apura três inquéritos
Em nota enviada ao GMC Online, a Polícia Civil do Paraná informou que três inquéritos foram instaurados para apurar ocorrências envolvendo o mesmo investigado em Maringá.
Confira a nota da PCPR na íntegra:
“A PCPR informa que foram instaurados três inquéritos para investigar casos envolvendo o mesmo autor, em Maringá. Sobre a ocorrência registrada no dia 5 de maio deste ano, o inquérito foi finalizado e encaminhado à Justiça por crime contra a honra.
Em relação ao inquérito relacionado ao boletim registrado no dia 28 de novembro de 2025, a vítima foi ouvida e realizou o laudo de lesões, que, após ser concluído, constatou lesão corporal de natureza leve. A PCPR segue as diligências para esclarecer o caso.
O terceiro procedimento investiga o autor pelos crimes de importunação sexual e assédio sexual. Quatro vítimas registraram a ocorrência até o momento. As equipes policiais seguem com a investigação para esclarecer os casos.”
Caso segue sob investigação
Até o momento, não há condenação judicial contra Wilker Cesar Novaes. O caso segue em investigação pela Polícia Civil e poderá ter novos desdobramentos conforme o avanço dos inquéritos e eventual manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
O GMC Online acompanha o caso.
