‘Estava com minha filha de 3 anos no colo’: sobrevivente relata como escapou de ataque que matou três inocentes em Sarandi

A sobrevivente do ataque a tiros que deixou três pessoas mortas em um bar recém-inaugurado em Sarandi falou pela primeira vez sobre os momentos de terror vividos durante o crime. Em entrevista à RIC Record Maringá, ela descreveu o desespero ao tentar salvar a filha de apenas três anos enquanto criminosos abriram fogo contra familiares que, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), foram mortos por engano.
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O triplo homicídio aconteceu no dia 22 de maio e causou forte comoção em Sarandi e em toda a região de Maringá. Neste sábado, 30, a investigação ganhou um novo desdobramento após a PCPR confirmar que as vítimas eram inocentes e não possuíam qualquer ligação com o crime organizado.
“Eu fui a única que consegui correr”, diz sobrevivente
Abalada, a mulher contou que tudo aconteceu rapidamente. Segundo ela, a família estava reunida em um momento simples de confraternização no bar recém-inaugurado. “A gente tava em comemoração, chamou alguns amigos, familiares e estávamos assando uma carninha. Depois quase todo mundo foi embora e ainda ficamos ali”, relatou.
Foi então que o atirador chegou ao bar efetuando disparos. “Quando vi o rapaz chegando já mirando a arma pra gente e atirando, eu estava com minha filha de três anos no colo. Eu estava sentada de frente pra rua. Fui a única que consegui correr sem levar um tiro”, disse.
Em meio ao desespero, ela correu para dentro da residência tentando proteger a filha. “Na hora que eu e meu marido conseguimos entrar dentro de casa, eu coloquei minha filha na cama e fechei a porta. Ele viu que eu corri e ficou segurando a porta. Só saímos quando os tiros pararam e vimos nossa família morta”, afirmou, emocionada.
Ainda conforme o relato, uma das vítimas tentou impedir o ataque. “O Rafael ainda falou: ‘O que eu fiz pra você? Para de atirar’”, contou.
Vítimas foram mortas por engano, diz Polícia Civil
De acordo com a Polícia Civil, o alvo real da execução seria outro casal, supostamente ligado ao tráfico de drogas na região. O atirador, porém, teria confundido o endereço e executado trabalhadores inocentes da mesma família.
Durante a Operação Leviatã, realizada em conjunto entre Polícia Civil, Polícia Militar do Paraná (PMPR) e Guarda Civil Municipal (GCM), foi preso o homem apontado como mandante do crime. Segundo a investigação, ele teria ordenado a execução de rivais envolvidos com o tráfico de drogas e contratado tanto o atirador quanto o motorista que levou o executor ao local.

O delegado Willian Araújo Ribeiro afirmou que o caso está esclarecido e reforçou que as vítimas não tinham envolvimento com a criminalidade.
“Queremos passar para a população que a família, as pessoas que faleceram naquele local, são inocentes, não têm nada a ver com a criminalidade. O atirador errou o local. Infelizmente, essa família morreu”, declarou. Ainda segundo o delegado, o motorista preso no último dia 27 possui parentesco com o homem apontado como mandante da execução.
Atirador segue foragido
O homem identificado como autor dos disparos já possui mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, mas segue foragido.
As forças de segurança afirmaram que as buscas continuam de forma ininterrupta para localizar o suspeito.
Drogas e estrutura do tráfico foram apreendidas
Durante os mandados de busca ligados ao suspeito apontado como mandante, policiais civis e equipes do Choque da PM apreenderam uma grande quantidade de drogas e materiais ligados ao tráfico.
Foram encontrados aproximadamente um quilo de cocaína, mais de 11 quilos de maconha, porções de haxixe, 46 frascos de vapers de cannabis (THC), além de mais de 3 mil comprimidos de ecstasy e cerca de 200 gramas de MDMA puro.
Também foram apreendidos munições calibre 9 mm, balanças de precisão, seladora a vácuo, milhares de embalagens para armazenamento de drogas, máquinas de cartão e celulares.
Além da suspeita de mandar executar rivais, o homem preso também foi autuado em flagrante por tráfico ilícito de entorpecentes.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
