Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

03 de abril de 2026

Eleição presidencial de 1989


Por Reginaldo Dias Publicado 06/09/2022 às 15h00 Atualizado 20/10/2022 às 17h08
Ouvir: 00:00
Foto: Reprodução

Em 1989, após quase três décadas, realizou-se eleição direta a presidente da República. O regime militar havia estabelecido que o mandato do sucessor do general Figueiredo seria de seis anos. Durante a Constituinte, pautou-se a antecipação da eleição e o resultado negociado foi limitar o mandato do presidente Sarney para cinco anos. Além disso, os constituintes estabeleceram que a eleição teria dois turnos, caso o candidato mais bem votado não atingisse mais de 50% dos votos válidos. 

O governo Sarney, não obstante a elaboração de alguns planos de estabilização, não tivera sucesso em resolver a grave crise econômica legada pelos militares, caracterizada pela disparada da inflação e da dívida externa.  A eleição presidencial colocou em pauta quais seriam as terapias para solucionar a crise.

Iniciado o certame, os candidatos dos partidos que sustentavam o governo Sarney ficaram fragilizados. Candidato pelo PMDB, o deputado Ulisses Guimarães, lenda viva da política brasileira por seu papel na resistência democrática e na direção da Constituinte, ficou em sétimo lugar, obtendo apenas 4,7%. O PFL, formado pela dissidência do PDS que apoiou Tancredo e Sarney em 1985, lançou o Aureliano Chaves, que obteve menos de 1% dos votos, chegando em nono lugar. Melhor sorte teve Paulo Maluf, candidato derrotado por Tancredo Neves no colégio eleitoral. Novamente candidato pelo PDS, Maluf chegou em quinto lugar, obtendo 8.8%.

No plano partidário, a principal novidade era o PSDB, constituído por respeitáveis líderes do antigo MDB. O candidato do PSDB foi Mário Covas, que chegou em quarto lugar, obtendo 11%.

Uma das vagas ao segundo turno foi disputada no interior do campo trabalhista, polarizando as lideranças de Leonel Brizola (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por uma pequena margem, Lula chegou em segundo lugar, obtendo 17,2%, enquanto Brizola totalizou 16,5%, ficando em terceiro.  

O líder do primeiro turno foi o jovem governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, com 30% dos votos. Collor impactou o eleitorado com um forte discurso de moralização da máquina pública e com a imagem do homem forte que vinha para moralizar o sistema político. 

No segundo turno, houve polarização de projetos. Por um lado, Collor apresentou um projeto liberal, que defendia a abertura ao capital internacional e a privatização das empresas públicas. Por outro lado, Lula apresentava um projeto trabalhista, baseado na defesa do papel estratégico do Estado, e em política internacional de viés nacionalista e em reformas sociais. 

Outra dimensão da disputa ocorreu quando Collor instrumentalizou os símbolos nacionais em benefício próprio, procurando fragilizar a candidatura de Lula, propagando dizeres como “nossa bandeira é verde e amarela e nunca será vermelha”. 

Contando com o apoio de Brizola e Covas, terceiro e quarto colocados no primeiro turno, o candidato Lula atingiu o índice de 47% dos votos. Não foi suficiente para ultrapassar Collor, que liderou os dois turnos e foi o vitorioso, na fase final, com 53% dos votos. 

Fazia tanto tempo que não ocorria eleição direta para presidente que nenhum dos dois finalistas, Lula e Collor, tinha idade para votar em 1960, no último certame de voto direto para presidente antes de 1989.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação