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25 de maio de 2026

Taxas de juros cedem com otimismo sobre perspectiva de reabertura do estreito de Ormuz


Por Agência Estado Publicado 25/05/2026 às 18h09
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A curva de juros futuros caiu em bloco no pregão desta segunda-feira, ao sabor das cotações do petróleo, que se consolidaram em terreno negativo desde a abertura da sessão. Todos os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) renovaram mínimas intradia por volta das 14 horas, após relatos de que Estados Unidos e Irã discutem um plano que abriria o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias após os dois lados chegarem a um acordo.

O otimismo renovado sobre uma possível resolução para o conflito no Oriente Médio levou a taxa negociada para janeiro de 2027 a ficar abaixo de 14% – algo que não acontecia no fechamento desde 20 de abril -, ao mesmo tempo em que os vértices longos devolviam cerca de 20 pontos-base. Rumo ao final do pregão, porém, sem confirmações oficiais da notícia, como já é praxe na guerra, a melhora perdeu algum ímpeto, em meio ao ceticismo dos agentes.

Com os mercados fechados nos EUA devido ao feriado do Memorial Day e, também, com um feriado bancário no Reino Unido, cabe ressaltar que a falta de liquidez lá fora impõe certa cautela na análise da movimentação dos ativos. Como a negociação dos Treasuries foi interrompida, os DIs tiveram como maior norte os preços do óleo, que terminaram o pregão regular com baixa de quase 7% e perto de US$ 90 o barril. Por aqui, o volume de negócios também foi reduzido.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 14,077% no ajuste de sexta-feira a 14,025%. O DI para janeiro de 2029 encerrou em 13,71%, de 13,851% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 teve baixa de 13,97% no ajuste a 13,84%.

“O mercado precificou, mais uma vez, o contexto geopolítico”, disse Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research. “Essa deve ser a terceira ou quarta vez que é esperado um anúncio de um potencial acordo envolvendo EUA, Israel e Irã, e a finalização do conflito, com potencial de reabertura do Estreito de Ormuz, o que traz uma expectativa de inflação global menor”, observou.

Como, no entanto, as idas e vindas em torno de avanços nas negociações têm dado a tônica dos negócios, o bom humor dos agentes foi contido, avalia Almeida, o que também se refletiu no desempenho das taxas futuras. “O mercado se tornou bastante cético, na minha visão, em relação a esses acordos ou potenciais acordos. Afinal de contas, acompanhamos esse cenário em outras ocasiões e nada vingou.”

Joel Kruger, estrategista de mercados do LMAX Group em Londres, observa que o dia já começou em tom positivo devido aos desenvolvimentos do final de semana, uma vez que os mercados se apoiaram em relatos de que o acordo entre Washington e Teerã está próximo, “mesmo que a mensagem política siga inconsistente”. Ainda assim, ressaltou, “a ausência de qualquer escalada ao longo do fim de semana foi suficiente para provocar uma redução significativa do prêmio de risco geopolítico entre as classes de ativos”.

No Brasil, mesmo com o alívio na sessão, agentes seguem reprecificando seus cenários para a política monetária, à luz do ambiente externo, mas não somente. O economista-chefe do banco Pine, Cristiano Oliveira, elevou sua projeção para a Selic ao final de 2026, de 13,25% a 14%, devido à combinação entre inflação mais persistente, deterioração fiscal e elevação dos prêmios de risco.

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